São Paulo (SP) — O setor calçadista brasileiro foi um dos mais impactados com a implementação da tarifa adicional de 50% sobre produtos importados pelos EUA. Em 2025, a venda de pares para o resto do mundo totalizou US$ 958 milhões, o que representa uma queda de 1,8% na comparação com o ano anterior. Em termos de volume, no entanto, houve aumento de 6,7%, com a comercialização de 103,9 milhões de pares.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (19/5) durante o 6º BFSHOW, um evento organizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e pela NürnbergMesse Brasil, que ocorre até esta quarta-feira (20) no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Somente para os Estados Unidos, a queda das exportações foi de 2,1% e totalizaram US$ 211,7 milhões. Apesar do resultado negativo, o país seguiu como o principal destino das exportações brasileiras em 2025, correspondendo a 22,1% do total de dólares obtidos com a venda para o exterior.
Apesar do tarifaço, o setor avalia que houve outros fatores que contribuíram para a queda das exportações, que atingiu não somente as vendas para os EUA, mas também para outros parceiros importantes, como Argentina (-10,9%), Equador (-0,2%), França (-2,8%), Peru (-2,7%), Chile (-10,7%), Espanha (-6,0%) e Uruguai (-17,4%).
Segundo o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, de janeiro a abril de 2025, as exportações brasileiras chegaram a crescer 13%. No entanto, com um segundo semestre amargo para o setor, em virtude das tarifas, a demanda se inverteu.
“Lógico que até final do ano teve outros fatores, não só o mercado norte-americano. Mas há um grande peso do mercado norte-americano sobre as exportações do setor calçadista”, destacou Ferreira, durante a coletiva de apresentação do Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026.
Além disso, o primeiro trimestre de 2026 não foi positivo. Houve queda de 7% na produção nacional de calçados. Apesar disso, o setor espera uma reversão desse cenário, depois de um resultado melhor em abril. A estimativa otimista da Abicalçados é de um crescimento de 5,1% em valor e de 1,4% em pares neste ano.
“Nós tivemos uma mudança de cenário nas exportações no mês de abril. Em função da queda da tarifa para os Estados Unidos, a exportação, que estava sofrendo muito nos primeiros meses — e continua ainda sofrendo, o número ainda é negativo nesse primeiro quadrimestre —, mas principalmente para os Estados Unidos, nós tivemos um aumento da exportação de 40%”, acrescentou o presidente da entidade.
*O repórter viajou a convite da Abicalçados
