Exportações

China reabilita três frigoríficos brasileiros suspensos desde 2025

Decisão beneficia unidades da JBS, Frisa e Bon-Marte, e ocorre durante missão do ministro André de Paula ao país asiático para ampliar o acesso do agronegócio brasileiro ao mercado chinês

A China autorizou nesta quarta-feira (20/5) a retomada das exportações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025. O anúncio foi feito pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), após reuniões entre autoridades brasileiras e chinesas em Pequim.

Em nota, a entidade afirmou que a decisão representa um avanço relevante para as exportações brasileiras. “A medida representa uma importante conquista para o setor e reforça a confiança da China no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país”, declarou a Abiec.

Entre as plantas liberadas está a unidade da JBS em Mozarlândia (GO). Também voltaram a ser autorizadas uma unidade da Frisa, em Nanuque (MG), e uma planta da Bon-Marte, em Presidente Prudente (SP).

A China é o principal destino da carne bovina brasileira, representando quase a metade de todas as exportações do setor. Em 2025, o Brasil enviou 1,7 milhão de toneladas para o país asiático. Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil já enviou 612,9 mil toneladas, o que representa 55,4% de toda a cota anual negociada.

As suspensões haviam sido impostas em março de 2025 pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC), sob alegação de “não conformidade” com os requisitos chineses para o registro de estabelecimentos estrangeiros. Na ocasião, o órgão chinês não detalhou quais critérios teriam motivado os bloqueios, nem quais exigências deixaram de ser atendidas.

Missão oficial 

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, está em missão oficial na China até 21 de maio, com compromissos em Xangai e Pequim voltados ao avanço de negociações sanitárias e à ampliação do espaço do agronegócio brasileiro no mercado chinês.

Além da retomada das autorizações para exportação de carne bovina, o governo brasileiro também busca expandir a presença de frigoríficos nacionais no país asiático. Durante a viagem, o Brasil solicitou às autoridades chinesas a habilitação de 33 novas plantas exportadoras.

Cota 

O mercado brasileiro de carne bovina passou a operar sob novas restrições em 2026 após a China adotar medidas de salvaguarda para limitar as compras do produto. Desde o início do ano, os embarques brasileiros ao país asiático ficaram condicionados a uma cota de 1,1 milhão de toneladas. O volume exportado acima desse limite passou a ser submetido a uma tarifa de 55%, elevando significativamente o custo das operações.

Com o ritmo acelerado das compras chinesas, o Brasil já havia utilizado metade da cota anual em maio. Diante desse cenário, frigoríficos brasileiros começaram a reduzir gradualmente os abates voltados ao mercado chinês entre meados de maio e junho, numa tentativa de evitar a cobrança da tarifa adicional.

As restrições impostas pela China terão validade entre 2026 e 2028 e devem provocar impacto relevante sobre o setor exportador brasileiro. A expectativa do mercado é de uma redução de até 10% nas exportações totais de carne bovina do país ao longo deste ano.

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