
O governo dos Estados Unidos anunciou, nessa terça-feira (2/6), uma nova ofensiva comercial que pode atingir o Brasil e outras 59 nações com sobretaxas de até 12,5% sobre produtos exportados ao mercado americano. A medida foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após a conclusão de investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o relatório divulgado pelo órgão, o Brasil está entre 54 países considerados falhos na adoção e fiscalização de mecanismos para impedir a entrada de bens produzidos com trabalho forçado em suas cadeias comerciais. Na avaliação do governo americano, essa situação gera distorções no comércio internacional e prejudica a competitividade dos trabalhadores dos Estados Unidos.
Pela proposta, as importações oriundas dos países investigados poderão ser submetidas a tarifas adicionais de até 12,5%. Nações que possuam compromissos prévios em acordos comerciais ou adotem regimes considerados parcialmente adequados estarão sujeitas a uma alíquota menor, de 10%.
Segundo o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, a medida visa eliminar a vantagem de custo desleal de empresas que utilizam mão de obra forçada, distorcendo o mercado global. “A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em lidar com a importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em um campo de jogo desigual”, afirmou o embaixador.
O cronograma estabelecido pelo governo americano prevê a coleta de comentários públicos até 6 de julho de 2026, com audiências presenciais agendadas para 7 de julho. O "tarifaço" global atinge desde potências como China, Índia, Japão e Reino Unido até parceiros regionais como Argentina e Uruguai.
Brasi pode ter tarifa de 25%
A nova proposta se soma a uma investigação específica aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil em julho de 2025 e que poderá resultar em sanções ainda mais severas, com tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Nesse processo paralelo, Washington acusa o governo brasileiro de adotar práticas consideradas "irrazoáveis" em áreas como comércio digital, regulação de plataformas de redes sociais, funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol e políticas de combate ao desmatamento ilegal.
Apesar da possibilidade de uma sobretaxa mais elevada, o documento preliminar do USTR sinaliza que alguns dos principais produtos da pauta exportadora brasileira devem ficar de fora de eventuais medidas punitivas. Entre eles estão carne bovina, café, peças de aeronaves, metais e terras raras.
A reação do governo brasileiro foi imediata. Em nota, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços classificaram as investigações como uma tentativa de interferência em temas considerados de soberania nacional.
O governo argumenta que o Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos, aberta e neutra, e destaca que a relação comercial bilateral tem sido favorável aos Estados Unidos. Segundo dados apresentados pelas autoridades brasileiras, o Brasil acumulou déficit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com os americanos nos últimos 15 anos.
A decisão final sobre a investigação iniciada em 2025 deverá ser anunciada até 15 de julho de 2026. Caso as sanções sejam confirmadas, a medida poderá ampliar as tensões comerciais entre os dois países e afetar setores estratégicos da economia brasileira.

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