relações exteriores

Flávio Bolsonaro tenta se descolar de tarifaço dos EUA

Pré-candidato à Presidência diz ter enviado carta a Rubio pedindo que os Estados Unidos não imponham taxação ao Brasil

Horas depois da ameaça americana, Donald Trump postou fotos em que aparece no Salão Oval da Casa Branca com Flávio Bolsonaro -  (crédito:  Donald Trump via Truth Social)
Horas depois da ameaça americana, Donald Trump postou fotos em que aparece no Salão Oval da Casa Branca com Flávio Bolsonaro - (crédito: Donald Trump via Truth Social)

Acusado pelo governo Lula de ter incitado os Estados Unidos a ameaçarem o Brasil com novo tarifaço sobre produtos nacionais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse ter enviado uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na qual pede que não imponha tarifas comerciais ao Brasil.

No documento, o pré-candidato à Presidência manifestou preocupação com a intenção dos EUA de taxar em 25% produtos brasileiros. Ele argumentou que eventuais sobretaxas poderiam agravar a situação econômica brasileira. Para sustentar o pedido, ele citou indicadores como o aumento da dívida pública, o crescimento da inadimplência entre famílias e empresas e o número recorde de recuperações judiciais registradas no país.

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"Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro, justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como parceiro e amigo", frisou.

Flávio também agradeceu à recente decisão de Washington de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. "A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério", frisou.

Na parte final da correspondência, o senador fez uma referência direta às eleições presidenciais previstas para outubro. Disse estar "confiante" de que será eleito presidente da República e afirmou que, caso isso ocorra, colocará sua equipe de transição à disposição do governo norte-americano para negociar um amplo acordo de comércio e investimentos entre os dois países.

"Estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à disposição para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações", acrescentou.

Em postagem nas redes sociais, Flávio afirmou que é contra a imposição das novas tarifas a produtos brasileiros. "Sempre defendi as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo. Pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Tarifa não é solução. Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas, como faz Lula", destacou.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, o pré-candidato à Presidência rejeitou a tese de que os Estados Unidos estariam interessados em enfraquecer o Pix. Ele classificou a acusação de narrativa estratégica do governo federal. E voltou a atacar o chefe do Executivo.

"Trump sabe que Lula se mobiliza para tirar o dólar como padrão internacional de comercialização entre os países. Isso é um tiro no coração dos Estados Unidos. Então, quem está sendo retaliado não são as empresas brasileiras. Quem está sendo retaliado é o próprio Lula. Trump toma essa medida porque olha para Lula e vê uma pessoa inconfiável, uma pessoa incompetente", disparou.

Horas depois da ameaça de tarifaço, Trump publicou na sua rede social, a Truth Social, duas fotos em que aparece com Flávio, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo, no Salão Oval da Casa Branca. Esse encontro ocorreu na semana passada.

Na postagem dessa terça-feira, Trump diz que o senador é "um jovem inteligente que ama muito seu país".

Processo

Também nessa terça-feira, Flávio Bolsonaro informou que apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra Lula. Segundo o parlamentar, uma declaração sobre "traidores da Pátria" feita pelo presidente, durante evento em Goiás, configuraria ameaça e incitação ao crime.

A iniciativa ocorre após discurso de Lula durante a inauguração do câmpus Catalão do Instituto Federal Goiano. O chefe do Executivo criticou integrantes da família Bolsonaro por procurarem autoridades dos Estados Unidos para discutir temas relacionados ao Brasil e afirmou que eles teriam pedido interferência estrangeira em assuntos internos do país. "São traidores. O que merecen os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país?", questionou o presidente.

Para Flávio Bolsonaro, a fala representa uma referência à execução de opositores políticos e teria sido direcionada a ele. O senador afirmou que o discurso ultrapassou os limites da crítica política e justificaria uma investigação pelo STF. (Colaborou Danandra Rocha)

 

 

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postado em 03/06/2026 03:55
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