Política monetária

Copom decide, nesta quarta-feira, se mantém cortes de juros

Analistas já apostam em freio na queda da Selic, mas ainda há quem acredite em redução de 0,25 ponto percentual

BC: após dois cortes de 0,25 pontos percentuais, autoridade monetária pode interromper ciclo de queda  -  (crédito:  Ed Alves/CB/DA.Press)
BC: após dois cortes de 0,25 pontos percentuais, autoridade monetária pode interromper ciclo de queda - (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definirá, no fim da tarde desta quarta-feira, se mantém ou encerra o ciclo de cortes da taxa básica de juros iniciado na reunião do último mês de março. Nas últimas semanas, a possibilidade da manutenção da Selic em 14,5 pontos percentuais ao ano ficou cada vez mais real, devido à pressão inflacionária causada principalmente pelo aumento dos preços de combustíveis e alimentos com a guerra no Oriente Médio.

Na ata da última reunião, que ocorreu nos últimos dias 28 e 29 de abril, o Copom deixou em aberto a possibilidade do fim do ciclo de cortes e mencionou expressamente os conflitos na região para falar em "serenidade e cautela na condução da política monetária". Além disso, o documento destaca que os "passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros" dependeriam de "seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo".

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O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do último mês de maio reforça a tendência de aceleração dos preços, apesar da estabilidade da inflação sobre os combustíveis. O índice geral subiu 0,58% no período e chegou a 4,72% no acumulado dos últimos 12 meses, o que indica que a inflação oficial está acima do teto da meta, de 4,5% ao ano.

Apesar de alguns analistas indicarem a possibilidade do encerramento do ciclo de cortes, a maioria dos agentes do mercado financeiro ainda apostam em mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, como o economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori. O especialista acredita que as expectativas de inflação devem dominar os debates nesta reunião do Copom.

"Após algum alívio observado no início do ano, o IPCA voltou a subir com as pressões nos preços de combustíveis e a recente desvalorização do câmbio. O debate deve girar em torno da percepção sobre se a Selic ainda está suficientemente restritiva dentro deste novo contexto para trazer a trajetória da inflação na direção da meta no horizonte de tempo relevante", avalia Igliori.

Neutralidade

Por sua vez, o analista e CEO da Route Investimentos, Daniel Borges, acredita em uma mudança de ciclo já na reunião desta semana. "O Copom vem de uma sequência de quedas na taxa de juros, porém, com as recentes mudanças do próprio Banco Central nos últimos Relatórios Focus, em que o fechamento da taxa de juros de 2026 já está sendo precificado para cima, eu acredito que hoje ele fique neutro, que pare, não desça nem suba", comenta Borges.

Da mesma forma, o Banco Sofisa acredita na manutenção da taxa, apesar de considerar como uma "decisão desafiadora", levando-se em conta os prejuízos para a atividade econômica, que busca retomar o ritmo de crescimento. "O Banco Central, que tem adotado postura técnica em suas atas, deve optar pela manutenção da taxa nesta reunião, com tom neutro, preservando flexibilidade para eventuais ajustes à frente, conforme a evolução do balanço de riscos", avalia a instituição, em nota.

Na visão do banco, um eventual corte neste momento poderia ser interpretado como maior tolerância inflacionária, especialmente em um ambiente geopolítico ainda marcado por incertezas. "Por outro lado, há quem avalie que o nível atual dos juros reais, já bastante restritivo, abriria espaço para a continuidade do ciclo de cortes, desde que mantido o monitoramento da ancoragem das expectativas", emenda, em nota, a instituição.

Já para o analista da Miura Investimentos André Souza, há fatores que poderiam fazer com que o Copom reduzisse a taxa básica de juros em 0,5 ou até 0,75 pontos percentuais, apesar de acreditar que os diretores devem optar por um corte de apenas 0,25 na reunião desta quarta-feira. Ele menciona fatores como a desaceleração da atividade econômica, o nível ainda bastante restritivo da Selic e o processo de redução da Selic já em andamento. "Mesmo com uma redução para 14,25%, os juros continuariam muito elevados em termos históricos. Isso permitiria continuar combatendo a inflação sem interromper completamente o processo de afrouxamento monetário", conclui o analista.

 

 

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postado em 17/06/2026 03:55
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