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Reforma Tributária exige adaptação do varejo digital, alerta advogado

Segundo José Lima Neto, que discursou na Eletrolar Show, um dos principais pontos de atenção para as empresas está na substituição dos tributos atuais por novos modelos

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'"Antigamente, você trabalhava com aquele dinheiro para pagar no final do mês e girava. Hoje não. Você vai ficar um pouco mais apertado", explicou o especialista - (crédito: Fernanda Strickland/CB/D.A. Press)

São Paulo — As mudanças previstas pela Reforma Tributária do Consumo devem provocar impactos diretos na operação financeira, nos sistemas e na gestão dos contratos das empresas do varejo digital. A avaliação é do advogado tributarista e empresarial José Lima Neto, que palestrou sobre o tema Reforma Tributária do Consumo: Os Impactos Jurídicos e Estratégicos que vão Redefinir o Varejo Digital, durante a Eletrolar Show.

Segundo o especialista, um dos principais pontos de atenção para as empresas está na substituição dos tributos atuais por novos modelos. Um dos exemplos que ele deu foi a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá PIS/Cofins, e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que ocupará o lugar do ICMS e do ISS. Ele também destacou a previsão de redução do IPI dentro da nova estrutura.
“A palestra aqui foi voltada para o online, para as principais mudanças que a gente visualizou, principalmente para o varejo digital. Um exemplo é como vai entrar a CBS no lugar do PIS/Cofins, o IPI zero e o IBS no lugar do ISS e do ICMS”, afirmou.
José Lima Neto explicou que a nova dinâmica de cobrança poderá alterar o fluxo de caixa das empresas, principalmente pela mudança na forma de recolhimento dos tributos. Atualmente, muitas empresas utilizam o prazo entre a venda e o pagamento do imposto para movimentar recursos, mas o novo sistema prevê maior integração entre pagamento e operação.
“O tributo agora é cobrado por fora. Você vai ter o valor do produto e o imposto separado, sabendo exatamente o que está pagando de tributo e tendo crédito dessas operações”, disse.
O advogado destacou ainda o impacto do chamado split payment, mecanismo que prevê a segregação automática dos valores de uma operação. Com o sistema, parte do pagamento referente ao imposto será direcionada diretamente ao fisco no momento da transação.
“Você vai emitir a nota, vai vender para o cliente final e já vem o split payment: tira esse dinheiro, passa para a Receita e passa o outro valor para a empresa. Antigamente, você trabalhava com aquele dinheiro para pagar no final do mês e girava. Hoje não. Você vai ficar um pouco mais apertado”, explicou.

Transição

O advogado reforçou que o período de transição já exige preparação por parte das empresas. Segundo ele, 2026 será um ano de testes, enquanto a CBS começa a entrar em vigor em 2027 e o IBS será implementado gradualmente entre 2029 e 2032.
“Primeiro, 2026 já está acontecendo, é um ano de teste. 2027 vai entrar na CBS e, no decorrer de 2029 a 2032, o IBS gradualmente. As empresas têm que estar preparadas via sistema, atualizando contratos com fornecedores e preparadas especialmente no caixa”, declarou.
Na avaliação de José Lima Neto, a Reforma Tributária pode contribuir para reduzir a sonegação, mas ainda existem pontos que precisarão ser ajustados durante a implementação. Ele citou como exemplo a ausência de definição completa das alíquotas e as dificuldades relacionadas ao funcionamento do sistema de créditos para empresas do Simples.
“Entendo que a arrecadação não vai aumentar, ela vai deixar de ter mais sonegação, porque como o tributo vai ser pago praticamente na hora, a sonegação vai ser menor”, afirmou.
*Repórter viajou a convite da Eletrolar Show

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postado em 24/06/2026 13:38
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