
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a instituição auxilia o governo dos Estados Unidos a dar informações ao representante comercial do país, o USTR, sobre o uso do Pix no Brasil. Os norte-americanos abriram uma investigação, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1973, a respeito da tese levantada pelas empresas de cartão de crédito dos EUA que alegam uma preferência pelo sistema de pagamentos instantâneo em detrimento de outras formas de transação.
“O Banco Central vem disponibilizando gente e tempo para auxiliar nas explicações necessárias para o governo norte-americano”, disse Galípolo, nesta quinta-feira (25/6), durante a coletiva de apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM), na sede da autarquia.
O chefe da autoridade monetária ainda comentou que percebe uma curiosidade de outros países sobre as funcionalidade do Pix que, segundo ele, está “na fronteira do que há de mais moderno” e é “exemplo para o resto do mundo”. O presidente do BC ainda afirmou que acredita em um processo de incorporação natural de meios de pagamento como o brasileiro por outras economias.
“É o sistema de pagamentos do mundo que vários países querem vir aqui, entender como a gente fez, copiar, mas o Brasil não é o único que tem hoje. Vários outros países têm. E me parece que é um processo de evolução meio natural. A gente está vendo vários outros bancos centrais e autoridades tentarem seguir nesse movimento. Então, me parece que é algo que, com o tempo, terá que ser devidamente aceito e incorporado”, acrescentou Galípolo.
Entenda o caso
No início do mês de junho, o USTR publicou um documento que sugere a adoção de uma tarifa de 25% sobre a importação de produtos brasileiros no país, com uma lista de exceções ampla. Entre as justificativas utilizadas pelo representante comercial está a de que o governo brasileiro e o Banco Central prejudicariam empresas norte-americanas ao priorizar o uso do Pix em detrimento aos cartões de débito e crédito.
Os norte-americanos acusam o Brasil de colocar essas empresas em "desvantagem injusta" em relação ao sistema de pagamentos instantâneo que opera no país. “O papel duplo do Banco Central brasileiro como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas”, destacou, em relatório, o representante comercial Jamieson Greer.
O governo brasileiro segue em negociações com a Casa Branca para tentar evitar a entrada em vigor da tarifa, que poderia ser adotada a partir da segunda quinzena de julho, conforme o calendário previsto pelo USTR. A representação comercial também marcou uma audiência pública para o próximo dia 6 de junho, que deve contar com a presença de entidades do setor privado, além de membros da sociedade civil.
O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi um dos que confirmaram presença na audiência em Washington, além de seu aliado, o comentarista político Paulo Figueiredo. Ambos são acusados pelo governo Lula de atuar contra os interesses do país junto ao presidente Donald Trump e a outros membros do governo norte-americano.

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