
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que os diretores da autarquia ainda discutem metodologias para calcular uma estimativa de impacto do El Niño sobre a inflação brasileira. O fenômeno climático é aguardado para chegar com mais força no segundo semestre de 2026 e pode interferir diretamente nos preços de alimentos e commodities, com possíveis danos à produção agrícola e à indústria extrativa.
De acordo com o chefe da autoridade monetária, o Banco Central tenta adotar novas metodologias a partir de práticas internacionais para estimar um possível impacto do fenômeno sobre a economia brasileira. A declaração foi feita nesta quinta-feira (25/6), durante a coletiva de apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo semestre.
“Se em um ambiente de incertezas como esse, as projeções que já são da área econômica guardam maior incerteza, ou seja, você tem menos significância àquele dado especificamente, por esse tipo de incerteza, quando você agrega previsões que envolvem clima e quais são os seus impactos efetivos, você exponencializa isso de maneira bastante significativa”, disse Galípolo.
A projeção do Banco Central para o IPCA em 2026 passou de 3,9% para 5,2% entre os dois relatórios do ano. Apesar da inflação maior projetada para este ano, o BC aponta para uma queda da trajetória de preços a partir de 2027, mesmo com a possibilidade de os efeitos do El Niño serem incorporados na economia já no primeiro trimestre.
“Então, acho que tudo o que está no comunicado e na ata, que aborda de maneira bastante extensa como essa incerteza demanda que a gente encare todos esses dados e consuma com a devida parcimônia, o que eu acho que enfatiza ainda mais os riscos de você tomar decisões de maneira muito forte em um ambiente de tamanha incerteza”, acrescentou o presidente do banco.

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