Tecnologia

Microsoft prepara nova rodada de demissões para ampliar aposta em IA

Empresa planeja corte de cerca de 5 mil funcionários para sustentar investimentos bilionários em inteligência artificial e infraestrutura

Em julho de 2025, a empresa já havia demitido 9 mil pessoas -  (crédito:   )
Em julho de 2025, a empresa já havia demitido 9 mil pessoas - (crédito: )

A Microsoft prepara uma nova rodada de demissões como parte da estratégia para equilibrar os elevados investimentos em inteligência artificial (IA). Segundo o Business Insider, cerca de 5 mil funcionários devem ser desligados nas próximas semanas, o equivalente a menos de 2,5% da força de trabalho global da empresa, que soma aproximadamente 220 mil empregados.

Os cortes devem atingir principalmente as áreas de vendas, consultoria e Xbox, em meio à reestruturação da divisão, e fazem parte do plano para conter os custos crescentes com data centers, chips e infraestrutura de IA. Antes dessa nova rodada de demissões, a Microsoft lançou um programa de aposentadoria voluntária para funcionários mais antigos nos Estados Unidos. Em julho de 2025, a empresa já havia demitido 9 mil pessoas, o equivalente a 4% da força de trabalho na ocasião.

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Segundo Pedro Manoel, professor do curso de engenharia de software do Centro Universitário Uniceplac, a redução do quadro de funcionários reflete uma mudança de estratégia, e não uma crise financeira. De acordo com o especialista, a companhia busca direcionar recursos para um setor considerado prioritário diante dos elevados custos da nova tecnologia. "A Microsoft não está sem dinheiro, ela está mudando a direção do navio", afirmou.

Manoel explica que manter sistemas de IA exige investimentos elevados em infraestrutura, principalmente em data centers, energia e chips de alto desempenho, o que levou a empresa a reduzir despesas em áreas tradicionais, como vendas de software e Xbox.

Ao mesmo tempo em que reduz custos em áreas consideradas menos prioritárias, a Microsoft aumenta sua aposta na inteligência artificial com o lançamento da Microsoft Frontier Company, nova unidade operacional voltada à implementação de soluções de IA para clientes corporativos.

A divisão receberá um investimento inicial de US$ 2,5 bilhões e contará com uma equipe de aproximadamente 6 mil especialistas e engenheiros, responsáveis pela adoção das ferramentas de IA já desenvolvidas pela companhia em empresas de diversos setores.

A medida ocorre em meio ao avanço da disputa entre as gigantes de tecnologia. Recentemente, a Amazon Web Services anunciou um investimento de US$ 1 bilhão para ampliar sua divisão de implementação de IA baseada no modelo Forward Deployed Engineering. OpenAI e Anthropic também expandem iniciativas semelhantes, intensificando a concorrência no mercado corporativo de inteligência artificial.

O cientista da computação e pesquisador em inteligência artificial da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Carboni Gomes avalia que a combinação entre demissões e novos investimentos bilionários em IA faz parte de uma mudança estrutural no modelo de negócios das grandes empresas de tecnologia.

Segundo ele, os cortes indicam realocação de recursos para áreas consideradas estratégicas. "Atividades repetitivas, com menor potencial de crescimento ou que podem ser automatizadas tendem a perder espaço. Em contrapartida, cresce a necessidade de profissionais altamente especializados em inteligência artificial, infraestrutura, segurança, arquitetura de software e consultoria", explicou.

Para o pesquisador, a Microsoft concentra os investimentos em IA visa ampliar a produtividade das empresas, de olho no mercado mais promissor da próxima década. O professor afirma que o aporte de US$ 2,5 bilhões é compatível com a complexidade da implementação dessas soluções em grandes organizações.

De acordo com Gomes, o desafio vai além dos modelos de IA e envolve infraestrutura, segurança, armazenamento de dados, integração com sistemas legados e mão de obra especializada. O especialista compara o momento ao início da computação em nuvem, quando os investimentos bilionários também geravam questionamentos.

Reorganização de custos 

Para o Head de Inovação da GlobalTech, Anderson Garcia, demissões e investimentos em IA refletem uma reorganização de custos. Segundo ele, a empresa reduz despesas permanentes com pessoal enquanto direciona recursos para uma aposta estratégica de longo prazo.

"A Microsoft já demitiu cerca de 15 mil funcionários em 2025, com uma nova rodada de cortes esperada, e, mesmo, assim suas ações acumulam queda de quase um quarto desde janeiro, sinal de que o mercado não estava satisfeito só com corte de custos, queria ver a empresa 'resolver' a equação da IA", destacou.

Segundo Garcia, a IA tende a substituir funções operacionais e administrativas, mas também cria empregos especializados em implementação, integração e gestão de mudanças, ampliando a concorrência com consultorias tradicionais.

"Harmonia total é otimismo, mas eliminação total de emprego humano também não é o cenário mais provável no curto prazo. O que se vê é realocação, com perda líquida em algumas funções e criação em outras, normalmente em ritmo mais lento que o das demissões", afirmou.

Para Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, os cortes na Microsoft refletem a reorganização das big techs diante do avanço da inteligência artificial, em um movimento que, segundo ele, não é inédito. "No ano passado, o corte foi ainda mais pesado, com 15 mil vagas encerradas em apenas dois meses", disse.

Lelis afirma que a tendência vai além da Microsoft. Segundo ele, a consultoria Challenger atribuiu quase 88 mil demissões à IA nos Estados Unidos em 2026, superando o total registrado em todo o ano anterior.

Segundo ele, a pressão vem dos investimentos em infraestrutura. Neste ano fiscal, a Microsoft deve destinar cerca de US$ 190 bilhões à IA, quase 60% mais que no período anterior. "Trata-se de uma realocação de custos para pagar a conta da inteligência artificial, somada a um problema pontual de um negócio que já é maduro, e não necessariamente de um investimento em IA sem retorno", acrescentou.

*Estagiários sob a supervisão de Rafaela Gonçalves

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CY
postado em 05/07/2026 04:00
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