
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22/7) que o Brasil ainda não definiu um prazo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Ele disse que o mecanismo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica está à disposição do governo, mas será utilizado apenas "quando for adequado e necessário", após uma análise dos impactos para evitar prejuízos maiores ao país.
Segundo o ministro, a legislação aprovada pelo Congresso permite que o Brasil responda a medidas comerciais unilaterais, mas exige uma avaliação criteriosa dos efeitos econômicos. "O instrumento da reciprocidade está à nossa disposição. O Congresso Nacional aprovou por unanimidade a possibilidade de o Brasil responder a um ataque unilateral em termos comerciais ou tarifários. O Brasil tem esse instrumento e vai usá-lo quando for adequado e necessário", declarou em entrevista à Rádio Bandeirantes.
Márcio Elias Rosa ressaltou que a reciprocidade não deve ser confundida com retaliação ou vingança e defendeu cautela na definição de uma eventual resposta. "A lei não nos dá o direito de perder a razão", afirmou o ministro.
Segundo ele, uma eventual resposta brasileira não pode produzir um efeito negativo ou causar prejuízos ainda maiores ao país. "Eu também gosto de dizer que, se você for adotar a reciprocidade, precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, porque, senão, você perde o controle e o domínio da negociação", completou.
Na avaliação do ministro, a origem do impasse entre Brasil e Estados Unidos extrapola a esfera comercial e ajuda a explicar a dificuldade de uma solução negociada. “Se as questões fossem meramente comerciais ou econômicas, eu não tenho dúvida de que nós teríamos chegado a um consenso, a um acordo. Mas, infelizmente, elas não são.”
De acordo com Elias Rosa, o governo brasileiro negociou todos os pontos da seção 301. “A tarifa que acabou sendo anunciada e que hoje começa a vigorar, tem muito mais um caráter de sanção, como se o Brasil tivesse feito algo errado, coisa que não fez, do que propriamente de regulação do mercado”, disse.

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