TARIFAÇO

Durigan: nova tarifa é "injustificada" e governo rechaça com "todas as forças"

Ministro da Fazenda reforça que governo pretende apoiar exportadores para diversificar mercados como resposta à segunda taxação adicional do governo Donald Trump

ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista para a BandNews -  (crédito: reprodução)
ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista para a BandNews - (crédito: reprodução)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou o discurso da diversificação dos mercados como resposta ao novo tarifaço dos Estados Unidos, que entrará em vigor amanhã. Segundo ele, a nova tarifa é "injustificada" e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaça a medida "com todas as forças".

“Temos linhas de apoio para diversificar novos mercados. Quem não quer comprar da gente, vamos insistir e vamos diversificar a exportação. E vamos apoiar nosso empresariado”, afirmou Durigan, na noite desta quinta-feira (23/7), em entrevista ao canal BandNews, após ser questionado sobre a confirmação do gabinete do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), sobre a nova tarifa de 12,5% que será aplicada contra o Brasil e mais 59 países, com base nas conclusões da investigação considerando as manifestações públicas, os depoimentos e as recomendações no âmbito da Seção 301, da Lei de Comércio dos EUA.

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O ministro reforçou que o governo brasileiro tem rechaçado “com todas as forças” a tarifa adicional dos Estados Unidos. “Essa tarifa é injustificada a unilateral, aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os Estados Unidos e que tem deficit comercial com os EUA. Se a própria ideia do governo é proteger os Estados Unidos do deficit que a gente (tem na China, essa lógica para eles não vale para nós”, afirmou. 

Na avaliação de Durigan, a nova sobretaxa dos EUA é “um mero expediente” do governo Donald Trump para substituir  aquela tarifa anterior de 10% que caiu na Suprema Corte dos Estados Unidos. “O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito, não tem justificativa. Deram um jeito de colocar a tarifa em todas as grandes economias de novo, inclusive, o Brasil”, afirmou. 

O ministro da Fazenda citou como medidas do governo para mitigar os impactos do tarifaço dos EUA o programa Brasil Soberano 3, lançado ontem com uma linha de crédito de R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas pelas medidas norte-americanas. Ele ainda reconheceu que há problemas fiscais e que o principal problema para o aumento da dívida pública é a taxa básica de juros (Selic) elevada, de 14,25% ao ano atualmente. “Nossa única dificuldade é a taxa de juros”, afirmou. 

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Para o ministro, a dívida pública elevada é mais resultado dos juros altos do que da política fiscal.  Segundo ele, o governo já fez um ajuste de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e, no próximo mandato precisará fazer um ajuste parecido para conter o aumento da dívida pública, como cortar gastos tributários que não impactam na atividade econômica. “O mesmo esforço de ajuste de 2% do PIB tem que ser feito no próximo mandato, reduzindo gasto obrigatório e mantendo a proporção de receita, sem criar tributo novo além de manter a arrecadação de quem deve pagar mais imposto”, afirmou. 

De acordo com Durigan as pressões inflacionárias atuais são resultado do conflito dos Estados Unidos no Irã e, como o barril do petróleo voltou a subir, ficando acima de US$ 100, hoje, o ministro não descartou a volta de subsídios para minimizar o impacto no preço da gasolina para o consumidor. Ele lembrou que, quando o petróleo sobe, o governo aumenta a receita tributária do governo federal. “Ao aumentar o preço do petróleo, vamos ter mais arrecadação”, afirmou. “Não vamos deixar o brasileiro pagando combustível caro. E vamos seguir com essa ajuda. “(A receita do petróleo)É um recurso que vai ser usado para pagar o subsídio da gasolina”, acrescentou.

Na sequência, a assessoria da Fazenda divulgou uma nota informando que o ministro assinou uma portaria que fixa em R$ 0,44 a subvenção para a gasolina com validade de 30 dias a partir do próximo dia 26.





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postado em 23/07/2026 20:39 / atualizado em 23/07/2026 21:06
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