A inadimplência nas operações de crédito voltou a crescer em maio e atingiu o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central. A taxa média de atrasos acima de 90 dias subiu de 4,6% em abril para 4,7%, recorde desde o início do levantamento, em março de 2011, segundo dados do Relatório de Estatísticas Monetária e de Crédito, divulgados nesta quarta-feira (1º/7).
O avanço foi puxado principalmente pelas famílias, cuja inadimplência passou de 5,5% para 5,6%, também o maior nível já registrado. Entre as empresas, a taxa avançou de 3,1% para 3,24%, maior percentual desde novembro de 2017, quando chegou a 3,27%.
No crédito com recursos livres — em que bancos e clientes negociam livremente as condições dos empréstimos — a inadimplência aumentou de 6,1% para 6,2%. Já nas operações com recursos direcionados, a taxa passou de 2,7% para 2,8%.
Juros
Apesar da alta dos calotes, a taxa média de juros das operações de crédito recuou levemente, de 33,5% para 33,4% ao ano em maio. Em relação ao mesmo período do ano passado, no entanto, o custo do crédito permanece mais elevado, com avanço de 1,7 ponto percentual. Para as empresas, os juros caíram de 21,8% para 21,6% ao ano, enquanto, para as pessoas físicas, permaneceram estáveis em 38,9% ao ano.
Entre as principais modalidades, o juro do cartão de crédito rotativo voltou a subir, passando de 432% para 439,9% ao ano. No parcelado do cartão, a taxa avançou de 188,1% para 189,6%, enquanto a taxa total do cartão de crédito passou de 94,2% para 96,6%. Já o cheque especial registrou recuo de 140,9% para 138,3% ao ano.
O spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes — caiu ligeiramente, de 22,2 para 22,1 pontos percentuais. Entre as pessoas físicas, o indicador recuou para 28,2 pontos, enquanto permaneceu em 8,9 pontos nas operações com empresas.
Novos empréstimos
As concessões de novos empréstimos e financiamentos totalizaram R$ 694,2 bilhões no mês. Na série com ajuste sazonal, houve alta de 0,7% frente a abril, impulsionada pelo crescimento de 0,4% nas operações com pessoas físicas. Entre as empresas, porém, as novas concessões recuaram 1%.
O estoque total de crédito do sistema financeiro cresceu 0,6% em maio e alcançou R$ 7,3 trilhões, acumulando expansão de 9,5% em 12 meses. O saldo das operações com famílias chegou a R$ 4,595 trilhões, enquanto o crédito destinado às empresas somou R$ 2,705 trilhões.
Os indicadores mais recentes também mostram que o endividamento das famílias permaneceu em 49,8% da renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas ficou em 28,2%, estável em relação ao mês anterior e 1,1 ponto percentual acima do registrado um ano antes.
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