Fiscal

Impostos sobre exportação de combustíveis impulsionam arrecadação em julho

Receita sobre a extração de petróleo e gás natural cresce 410% no acumulado de 2026, com aumento do preço da commodity e novo tributo

Imposto de Exportação foi uma alternativa criada pelo governo federal ainda em março para compensar os subsídios aos combustíveis -  (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Imposto de Exportação foi uma alternativa criada pelo governo federal ainda em março para compensar os subsídios aos combustíveis - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Receita Federal (RFB) arrecadou mais de cinco vezes o valor com a extração de petróleo e gás natural entre janeiro e julho de 2026. Dados divulgados pelo Fisco e detalhados nesta quarta-feira (26/8) mostram que houve um aumento de 410% nas receitas administradas pela RFB na comparação com o mesmo período do ano anterior. Nessa base de comparação, esses valores saltaram de R$ 15,5 bilhões para R$ 79,09 bilhões.

Uma parcela relevante desse montante arrecadado decorre de receitas consideradas atípicas pelo Fisco, como o aumento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que juntas somaram R$ 11 bilhões em receitas fora do usual, além do Imposto de Exportação sobre combustíveis, que acumulou R$ 7,98 bilhões nos últimos sete meses.

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O Imposto de Exportação foi uma alternativa criada pelo governo federal ainda em março para compensar os subsídios aos combustíveis e proteger as empresas que atuam no setor. A taxação prevê uma alíquota de 12% sobre o óleo bruto. Somente em julho, a arrecadação com esse tributo chegou a R$ 3,16 bilhões. No mesmo mês, o governo postergou por 60 dias a cobrança dessa tarifa.

O auditor da Receita Federal Marcelo Gomide explicou, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, que os analistas do Fisco acreditam também em uma correlação entre o aumento da arrecadação e a alta no preço do barril de petróleo, que chegou a custar quase US$ 120 em 2026.

“A gente acredita que pode ter uma relação com o aumento do preço do barril e do petróleo”, disse Gomide, que também preferiu não cravar uma influência direta entre os dois fatores. “A gente simplesmente registra que, em relação às estatísticas que nós temos, fugiu ao padrão e é por isso que a gente tá registrando como atípico. Mas não significa necessariamente que a gente vai manter esse registro para sempre assim”, destacou.

Nesta terça-feira, o preço do barril de petróleo Brent, utilizado como referência para a maioria dos países, registrou forte queda de 3,61%, a US$ 87,27, voltando a ficar abaixo dos US$ 90 após mais de uma semana. Já a cotação do West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, recuou 3,12%, a US$ 82,36 o barril, no fechamento dos mercados.

Arrecadação em julho

A arrecadação total chegou a R$ 289,3 bilhões em julho, de acordo com a Receita Federal. O resultado representa crescimento real de 8,97%, considerando a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a arrecadação alcançou R$ 1,87 trilhão – uma alta real de 6,98% na comparação com o mesmo período de 2025.

As receitas administradas diretamente pela Receita somaram R$ 268,8 bilhões em julho, crescimento real de 7,71%. Entre janeiro e julho, esse grupo acumulou R$ 1,79 trilhão, avanço de 6,96% em termos reais. Já as receitas administradas por outros órgãos chegaram a R$ 20,4 bilhões no mês, alta real de 28,87%. No acumulado do ano, o montante atingiu R$ 85,3 bilhões, crescimento de 7,33%.

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postado em 26/08/2026 13:36
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