TRABALHO

Caged registra queda de 57,2% na criação de vagas em julho

Saldo de novos postos de trabalho com carteira assinada em julho foi de 58,6 mil, dado abaixo do número de junho, de 137 mil, e inferior às estimativas do mercado, de 115 mil, confirmando desaceleração mais forte na geração de emprego formal

O mercado de trabalho com carteira assinada gerou 58.568 postos de trabalho, em julho, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira (28/8) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O saldo é 57,2% inferior ao registrado no mês anterior, de 137.044, e ficou abaixo das estimativas do mercado, que esperava a criação de 115 mil vagas. 

Conforme os dados do MTE, foram registradas 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos no mês, acumulando um saldo positivo de 972.203 novos postos de trabalho criados no ano, alta de 2,06% em relação a junho e queda de 20,9% na comparação com o mesmo período de 2025. 

O estoque de empregos formais no país somou 48.082.866. O salário médio real de admissão em julho apresentou crescimento de 0,6%, em relação a junho, para R$ 2.419,23, e, em comparação com o mesmo mês de 2025, o aumento foi de 2,04%.

Desaceleração em curso

Os dados do Caged confirmaram o processo de desaceleração mais forte do que o esperado pelo mercado, apesar de, ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter divulgado novo recuo na taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho, para 5,3%.

De acordo com Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, esses dados reforçam o cenário de baixo crescimento econômico para o terceiro trimestre de 2026. “Como esperado, os dados recentes apontam para uma desaceleração, e não uma contração, do mercado de trabalho”, afirmou Margato. Ele projeta que o ritmo médio de criação de empregos formais desacelere de aproximadamente 110 mil vagas por mês em 2025 para 80 mil vagas por mês em 2026, encerrando o ano com 960 mil vagas criadas até dezembro. 

A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, também reconheceu que o resultado do Caged de julho abaixo das expectativas de mercado reforçou os sinais de moderação gradual da atividade econômica, mas acredita que ainda ocorre em um contexto de mercado de trabalho resiliente, "com estoque elevado de vínculos formais, salários de admissão em crescimento real e geração positiva de empregos em quatro dos cinco grandes setores”.

Segundo ela, a intensidade da desaceleração merece atenção. “A geração líquida de empregos está abaixo da observada no mesmo período de 2025, e julho mostrou perda de dinamismo mais intensa do que a esperada. A concentração desse enfraquecimento em segmentos ligados ao consumo é compatível com os efeitos defasados de uma política monetária ainda restritiva sobre crédito, demanda e decisões de contratação das empresas”, destacou.

Na avaliação da economista, a composição do dado ajuda a entender que o mercado está se acomodando. "Serviços continuaram liderando a criação de vagas, seguidos por construção, agropecuária e indústria, enquanto o comércio apresentou saldo ligeiramente negativo. Embora a perda de ritmo tenha sido mais evidente justamente em serviços e comércio, setores mais sensíveis à demanda doméstica, a manutenção de contratações líquidas em grande parte da economia sugere que o movimento atual ainda é de acomodação, e não de deterioração disseminada do emprego”, acrescentou ela apontando o avanço no salário médio, tanto na comparação mensal quanto na interanual, como fator positivo.

"Além disso, o estoque total de empregos formais permanece próximo de máximas históricas, e o país ainda acumula criação expressiva de vagas em 2026”, emendou.

Dados setoriais e regionais

De acordo com os dados do MTE, quatro dos cinco grandes cinco grupamentos de atividade econômica apresentaram contratações no mês, com destaque para o setor do serviço, com 24.098 novas vagas. Na sequência, vieram os setores de construção (12.691), agropecuária (12.523) e indústria (11.315). Apenas o comércio registrou saldo negativo, fechando 2.056 postos de trabalho no mês.

De acordo com o relatório, houve saldo positivo de vagas em 22 das 27 unidades federativas no mês de julho, com São Paulo liderando o número de vagas novas em valores absolutos, de 17.814. E, na sequência,  Mato Grosso (5.766) e Minas Gerais (5.199) tiveram os maiores saldos

No acumulado de janeiro a julho de 2026, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos. O maior crescimento ocorreu no setor de serviços, com saldo de 591.519 postos formais de trabalho, crescimento de 2,58%, com destaque para o setor de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com saldo de 211.823 empregos no ano, conforme dados do MTE.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular?

Nos estados, os maiores saldos acumulados ocorreram em São Paulo (267.107), Minas Gerais (113.981) e Paraná (68.243).

Dados de gênero e instrução

Conforme os dados do Caged, em julho, o saldo foi mais positivo para homens (38.085) do que para mulheres (20.483). O resultado foi também positivo para as pessoas com nível médio completo (50.675) e para o com nível médio incompleto (12.027). Demais níveis de instrução totalizam saldo negativo de 4.134 postos.  

A pesquisa ainda revelou salto positivo para trabalhadores pardos (64.881), pretos (10.694), amarelos (481) e indígenas (63). Foi registrado saldo negativo apenas para brancos (-7.216).


Mais Lidas