
O Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta de 0,5% no segundo trimestre de 2026, em comparação com os três meses anteriores, na série com ajuste sazonal, totalizando R$ 3,4 trilhões, conforme dados divulgados, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado confirmou o processo de desaceleração da atividade econômica diante do avanço de 1,1% no primeiro trimestre do ano.
O resultado do segundo trimestre comparado ao anterior ficou levemente acima das estimativas do mercado, que variavam entre 0,3% e 0,4%. Contudo, a taxa ficou abaixo da projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda, que previa alta de 0,8%.
No acumulado do ano, o crescimento do PIB foi de 1,9%, em relação ao mesmo período de 2025, e, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o avanço foi de 2%.
De acordo com analistas, os principais responsáveis pelo dado positivo do PIB entre abril e julho foi o crescimento mais forte na agropecuária, de 2,8%, do lado da oferta, enquanto a indústria e serviços tiveram altas de 0,1% e 0,2%, respectivamente. E, do lado da demanda, o destaque ficou com os estímulos fiscais do governo, que elevaram os gastos da administração pública em 0,4% na mesma base de comparação.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), termômetro dos investimentos no país, avançou 1,2% mas o consumo das famílias recuou 0,4%. Foi a primeira queda trimestral na comparação na margem desde o terceiro trimestre de 2025. Segundo os especialistas, a desaceleração do PIB do segundo trimestre ajuda a confirmar as apostas de mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá nos dias 15 e 16 deste mês, levando os juros básicos para 13,75% anuais.
Patamar recorde
Com o resultado do segundo trimestre de 2026, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica do IBGE com ajuste sazonal, iniciada em 1996. O resultado na margem ainda colocou o Brasil na 5ª posição do ranking global, conforme levantamento da Austin Rating com base em 64 economias que divulgaram os resultados.
A listagem teve a Irlanda em primeiro lugar, com alta de 1% no PIB, seguida por Indonésia (0,9%), Angola (0,7%) e Malásia (0,6%), mas o economista-chefe da Austin, Alex Agostini, lembrou que o conflito no Oriente Médio acabou afetando o desempenho global, a média dos países listados ficou em 0,2%.
"Todas as economias foram fortemente afetadas pelo conflito no Oriente Médio, e o Brasil se destacou porque continua com a expansão fiscal. O crescimento econômico reflete o consumo da administração pública que avançou 0,4% no trimestre", explicou. Agostini previu alta de 0,5% na comparação com o trimestre anterior, não foi surpresa, mas confirma o processo de desaceleração que deverá ser mais forte no segundo semestre do ano. Na avaliação dele, esse patamar ainda restritivo da taxa Selic vem surtindo efeito no consumo das famílias, que foi negativo no trimestre de maio a junho. "Esse cenário de juros restritivos está impactando o varejo e várias empresas que entraram em recuperação judicial", alertou ele, que prevê o PIB estagnado no terceiro trimestre.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o efeito dos juros altos tem se tornado evidente no desempenho do PIB e pode ser percebido, principalmente, na queda do consumo das famílias. "O efeito da alta de juros tem se tornado evidente e pode ser percebido no consumo, que começou a desacelerar após um perodo mais positivo no incio do ano", destacou ele que prevê alta de 1,8% no PIB deste ano e mais desaceleração para 2027, com o PIB crescendo apenas 1%.
Após a divulgação dos dados do PIB do segundo trimestre, a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), revisou de 1,8% para 1,7% a projeção de crescimento do PIB deste ano. Segundo ela, apesar de o resultado trimestral ter ficado acima do esperado pelo mercado, o desempenho de vários indicadores ficou abaixo do esperado, como a queda na indústria da transformação, que recuou 0,4% na margem e 0,9% na comparação anual, além da surpresa negativa no consumo das famílias. "O PIB do lado da demanda acabou abaixo do calculado pela oferta", disse.

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