
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quinta-feira (3/9), a manutenção do reajuste real — acima da inflação — dos benefícios pagos aos aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Aí vem inventar que o deficit é por conta da Previdência, o deficit é por conta da Previdência... não! O deficit é porque a gente tem que pagar R$ 1,3 trilhão de juros todos os anos, sabe. Nunca aceitei jogar a responsabilidade do deficit em cima da Previdência Social”, disse Lula, em discurso realizado no Planalto, durante a cerimônia de anúncio de que o governo teria “zerado” a fila para pedidos de benefícios do INSS.
Apontada como a pasta de maior custo do governo, o Ministério da Previdência, por meio do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), projetou que as despesas com aposentadorias e benefícios devem chegar a R$ 1,218 trilhão em 2027.
A defesa da manutenção do ganho real dos benefícios concedidos pelo INSS ocorreu dias após o presidente Lula se reunir com representantes dos setores produtivo e financeiro, no Palácio do Alvorada.
Entre os presentes no jantar oferecido pelo presidente Lula estava o banqueiro André Esteves, sócio do BTG, que defende publicamente a revisão dos gastos públicos por parte do governo federal.
Essa é uma posição comumente endossada por setores da chamada Faria Lima — bairro de São Paulo onde estão localizados os maiores bancos. O entendimento de ser necessário revisar gastos públicos tem como justificativa a adoção de um caminho para reduzir a taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano.
"Ao contrário do que pensam, o setor financeiro se incomoda com juros altos e eles atribuem isso ao crescimento acelerado dos gastos públicos e da dívida pública", argumentou o economista Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos, em entrevista ao Correio.
Fila do INSS
Na cerimônia em que defendeu a manutenção do reajuste real das aposentadorias do INSS, Lula destacou que "zerar" a fila do INSS vai significar que os trabalhadores tenham até 45 dias — cumprimento do prazo legal — de espera para receber um retorno do instituto de seguridade sobre o possível recebimento do benefício, ou não.
"Zerar a fila não significa que não tem mais fila. Nós queremos humanizar a fila para que a pessoa tenha o tempo correto de dar entrada (no INSS), esperar e receber ou não benefícios", disse o petista.
O anúncio de que haveria reformulação na fila do INSS foi feito por Lula na semana passada, durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo. "Vou anunciar que a fila zerou. A espera de 45 dias vai estar apenas em 251 mil pessoas, que é o normal”, anunciou Lula, à ocasião.
Além de enfatizar ter "zerado" a fila do INSS, Lula comentou ter sido no seu governo o início das investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apontaram fraudes em repasses do INSS.
"Descobrimos uma quadrilha feita para roubar aposentados e principalmente para roubar pessoas humildes, pessoas com vida financeira precarizada", disse Lula, sem destrinchar detalhes da investigação, como os que apuram envolvimentos de de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS.
De acordo com investigações da PF, o Careca do INSS — atualmente preso por causa da fraudes no INSS — teria financiado viagens internacionais para Lulinha.
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