
O mercado financeiro reduziu a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2026, de 13,75% para 13,50% ao ano, segundo o mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Ao mesmo tempo, a estimativa para a inflação subiu de 4,90% para 4,92%.
A mudança nas projeções ocorre uma semana após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O movimento também ocorre em meio a sinais de desaceleração da atividade econômica.
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A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu de 1,89% para 1,88%, na segunda semana consecutiva de redução. Para 2027, a estimativa passou de 1,45% para 1,43%. As previsões para 2028 e 2029 permanecem em 1,87% e 2%, respectivamente.
Para Davi Lelis, economista e sócio da Valor Investimentos, as projeções do Focus mostram sinais distintos sobre a economia, com a redução da estimativa para os juros ocorrendo ao mesmo tempo em que a previsão para a inflação foi revisada para cima.
Segundo ele, a desaceleração da atividade econômica é um dos fatores que sustentam a expectativa de redução da Selic. "O esfriamento da economia é o principal argumento do mercado para projetar cortes de juros e esperar uma postura mais dovish por parte do Banco Central", diz.
A expectativa de juros menores tende a reduzir a atratividade relativa de investimentos em renda fixa denominados em reais e pode favorecer ativos de risco. No mercado de câmbio, o dólar fechou a sessão de ontem a R$ 5,103, com queda de 0,70%. O Ibovespa avançou 0,82%, aos 186.752,63 pontos.
No cenário externo, a queda dos preços do petróleo também contribuiu para um ambiente de menor pressão sobre inflação e juros. Ontem, os contratos do petróleo Brent recuavam cerca de 3%. Na semana passada, o dólar havia acumulado alta de 0,37%, encerrando o período cotado a R$ 5,144. Em setembro, porém, a moeda registra queda de 0,69%.
O Ibovespa recuperou parte da perda registrada na semana anterior, quando recuou 1,06% entre 14 e 18 de setembro.
Eleições
Além das expectativas para os juros, o cenário eleitoral começa a ganhar peso nas decisões dos investidores. As eleições gerais estão marcadas para 4 de outubro e, segundo relatório elaborado por Rebecca Nossig e Paula Zogbi, da Nomad, os meses anteriores ao pleito são marcados por maior percepção de risco e por mudanças nas expectativas relacionadas às políticas econômica, fiscal e monetária.
De acordo com o estudo, a volatilidade tende a aumentar à medida que a disputa eleitoral se aproxima do primeiro e do segundo turnos, período em que as expectativas são continuamente reavaliadas e as pesquisas eleitorais passam a ter maior peso na formação das projeções do mercado.
O relatório aponta ainda que o Ibovespa apresenta, em 2026, comportamento diferente do observado em ciclos eleitorais anteriores. Nas janelas de três e seis meses anteriores ao primeiro turno, os retornos acumulados do índice ficaram abaixo da média registrada nas eleições entre 2006 e 2022. Segundo a análise, o mercado acionário absorve o aumento da incerteza sem apresentar o mesmo nível de retorno observado em outros ciclos.
Para Lelis, a aproximação das eleições tende a aumentar as oscilações dos ativos, independentemente das características específicas de cada disputa. “Existem características que se repetem antes de qualquer eleição; por isso, antes de focar no que pode mudar, é fundamental entender o que geralmente permanece igual para estruturar carteiras e portfólios”, afirma.
“A primeira característica constante é o aumento da volatilidade com a aproximação do pleito. Como o mercado odeia incertezas, a eleição atua como a principal fonte de instabilidade atual. Quanto mais próxima a votação e mais acirrada a disputa, maior é a oscilação do dólar e da bolsa a cada pesquisa divulgada, caracterizando o prêmio de risco eleitoral, no qual os ativos embutem um seguro contra o desconhecido”, diz.
O ambiente externo também pesa sobre o desempenho da Bolsa brasileira. O relatório cita a deterioração das expectativas para a inflação nos Estados Unidos, que alterou as projeções para a trajetória dos juros do Federal Reserve, além das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.
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