Comércio Exterior

Alckmin diz que Brasil quer retomar negociação com os EUA após eleições

Em evento com a indústria do aço, o vice-presidente disse estar otimista com o diálogo bilateral sobre tarifas e outros acordos comerciais

O vice-presidente Geraldo Alckmin ao lado do secretário Uallace Moreira, do Mdic, na abertura do Congresso Aço Brasil 2026. -  (crédito: Raphael Pati/CB/D.A Press)
O vice-presidente Geraldo Alckmin ao lado do secretário Uallace Moreira, do Mdic, na abertura do Congresso Aço Brasil 2026. - (crédito: Raphael Pati/CB/D.A Press)

São Paulo — O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sinalizou que o Brasil deve retomar as negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo país a produtos brasileiros, adotadas após investigações com base na legislação comercial norte-americana. Ele disse estar “otimista” com o fortalecimento das relações com Washington e voltou a destacar que a balança comercial é favorável aos Estados Unidos.


“Eles têm superavit da balança comercial conosco. Quando um produto americano entra no Brasil, a taxa média de importação é 3,1%, e 70% do que nós importamos é ‘ex-tarifário’, é tarifa zero”, destacou Alckmin, nesta terça-feira (29/9), durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo. O vice participou da abertura do evento por videoconferência, já que cumpre agenda em Brasília às vésperas do primeiro turno eleitoral.

Fique por dentro das notícias que importam para você!



O setor do aço no Brasil foi e ainda é um dos mais atingidos pelo tarifaço implementado pelos Estados Unidos desde o início das medidas adotadas pelo presidente Donald Trump, no primeiro semestre de 2025. Atualmente, os produtos brasileiros semiacabados que entram no país estão sujeitos a uma sobretaxa de 50% sobre o imposto de importação.


Sobre a indústria do aço, o vice-presidente avaliou que o Brasil agiu corretamente ao impor tarifas de importação no setor como medida antidumping. Ao menos 39 produtos, especificados pelas NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul), tiveram aumento do imposto de importação. Desse total, 18 são referentes a aços planos e especiais, e nove, a aços longos, fios e perfis, cubos e outros produtos de fio e aço.


“E, no caso do antidumping, 17 medidas, abrangendo um grande número de produtos, aços planos, revestidos, especiais, aços longos, e deu resultado. Nós tivemos, de janeiro a junho deste ano, uma queda de 15% em volume das importações”, destacou Alckmin durante o evento.


Excesso de produção global


Ao mesmo tempo em que o setor é submetido a alíquotas elevadas, não apenas nos Estados Unidos, mas também em outros países, a indústria global do aço atravessa um período de excesso de produção e de capacidade, como destacou André Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau, durante a abertura do evento nesta terça-feira (29).


“Mais especificamente na situação do aço, nós temos um excesso de produção, um excesso de capacidade do aço de mais de 649 milhões de toneladas. Metade dessa capacidade vem da China, de excesso, mas também temos em outros países”, destacou.



Segundo o executivo, esse volume equivale a aproximadamente 20 vezes a produção de aço do Brasil. Além disso, ele destacou que as projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o excesso de capacidade deve chegar a 745 milhões de toneladas nos próximos dois anos.


“Existe a oportunidade, existe uma indústria forte, mas nós precisamos de algumas correções, de algumas reformas para avançar e para ter um desenvolvimento de verdade nesse país, com crescimento contínuo e, com certeza, não vai faltar aço, como eu sempre digo”, completou Johannpeter.


*O jornalista viajou a convite do Instituto Aço Brasil



  • Google Discover Icon
postado em 29/09/2026 12:58
x