Empresas de apostas on-line — as chamadas bets — se posicionaram, nesta quarta-feira (2/9), sobre a reunião realizada na terça-feira (1º), no Palácio do Planalto, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouviu 12 representantes da sociedade civil para discutir políticas de conduta relacionadas ao funcionamento das bets no Brasil.
Representado por 19 empresas de apostas on-line, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) argumentou que parte dos dados apresentados na reunião se refere a períodos anteriores à vigência do mercado regulado de apostas no Brasil.
“Algumas informações apresentadas foram baseadas em metodologias, períodos e recortes distintos. Parte dos dados é anterior à entrada em vigor do mercado regulado ou foi coletada durante seus primeiros meses”, aponta o IBJR.
No Brasil, a regulamentação das bets começou a valer no fim de 2023. Durante a reunião, Adriana Marcolino, diretora-geral do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), citou dados de 2023 a 2025 para alertar para o aumento dos pedidos de afastamento do trabalho por ludopatia, o vício em jogos.
“Dados do INSS. A média anual de pedidos de afastamento por ludopatia entre 2015 e 2022 era de 11 casos por ano. Agora, entre julho de 2023 e abril de 2025, foram 275 beneficiários de afastamento do trabalho por ludopatia. Então, houve um aumento de 2.300% no intervalo de dois anos”, afirmou Adriana.
A nota do IBJR também questiona a validade da comparação entre informações levantadas em outros países e a realidade brasileira. “Pesquisas utilizam parâmetros de países com realidades diferentes da brasileira. Além disso, as análises não distinguem as empresas licenciadas no Brasil, que cumprem as obrigações previstas na legislação brasileira, das plataformas ilegais, que operam sem autorização e à margem dessas regras”, completou.
Na reunião de ontem, foram citados exemplos de políticas de regulação de bets adotadas em países como Espanha, Itália, Reino Unido, França e Estados Unidos.
Entre os exemplos, foram mencionadas medidas como a limitação de horários para apostar em bets e de valores de premiação nos jogos on-line. Na reunião, o rapper Emicida defendeu ainda uma regulação para limitar a atratividade do design das plataformas de bets.
“Precisamos ter regulamentação de design (das bets), além de acabar com coisas como autoplay e modo turbo (na experiência dos jogadores). Precisamos limitar horário (de uso das bets). Precisamos atacar de forma dura”, pontuou Emicida na ocasião.
O documento assinado pela entidade ainda endossa a ideia de combate a jogos on-line cladestinos. "O setor regulado é o maior interessado no combate à clandestinidade e na construção de um mercado seguro, responsável e sustentável no país", finaliza.
