O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A autorização foi anunciada ontem e permite a continuidade das atividades de exploração no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial.
Com a autorização, a Petrobras iniciará o planejamento das próximas etapas da campanha exploratória. A empresa informou que dará continuidade à perfuração do poço Morpho — onde, no mês passado, foi anunciada a descoberta de petróleo — e, posteriormente, poderá perfurar os poços Manga, Crotalus e Morpho Extensão.
A decisão ocorreu após a retificação da Licença de Operação nº 1684/2025. Segundo o Ibama, os quatro poços já estavam previstos no Estudo de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) apresentados pela Petrobras em 2021. O planejamento original estabelecia um poço firme e três contingentes.
Em outubro de 2025, o órgão ambiental havia autorizado a perfuração do poço Morpho, considerado o poço firme do projeto. A perfuração dos outros três permaneceu em avaliação até que a Petrobras apresentasse informações complementares solicitadas pelo Ibama. A equipe técnica de licenciamento ambiental concluiu a análise na quinta-feira e emitiu a retificação da licença, autorizando os três poços adicionais. De acordo com o órgão, a execução das atividades está condicionada ao cumprimento das medidas e dos requisitos previstos na licença ambiental.
A autorização ocorre cerca de três semanas após a Petrobras confirmar a presença de hidrocarbonetos no poço pioneiro Morpho. O anúncio foi feito em 14 de agosto, durante a perfuração no bloco FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas.
O poço está a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma região com lâmina d'água de 2.886 metros. A perfuração deve ultrapassar 7 mil metros de profundidade.
A presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises das rochas e de exames elétricos realizados durante a perfuração. Na ocasião, a Petrobras informou que continuaria a avaliação exploratória e analisaria os dados obtidos e as amostras coletadas.
As amostras serão analisadas no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), com o objetivo de avaliar as características dos fluidos e das rochas reservatório, incluindo a qualidade e a densidade do óleo.
Naquele momento, a estatal informou que ainda não havia prazo para determinar o volume da acumulação ou sua eventual viabilidade comercial. A definição depende da integração dos dados geológicos e geofísicos e da perfuração de novos poços na região.
Com a autorização dos três novos poços, a Petrobras poderá ampliar a coleta de dados sobre a ocorrência identificada no Morpho. A perfuração de Manga, Crotalus e Morpho Extensão deverá contribuir para a caracterização da área e para a avaliação do potencial da acumulação de hidrocarbonetos.
Novos estudos
A confirmação da presença de petróleo, no entanto, não significa que a área já tenha uma reserva comercialmente viável. Ainda são necessários estudos e novas perfurações para determinar o tamanho da acumulação, as características do reservatório e as condições de eventual produção.
"Ainda não há prazo definido para determinar o volume da acumulação ou sua eventual viabilidade comercial, que dependerão da integração desses resultados com os demais dados geológicos e geofísicos e da perfuração de novos poços na região, sujeitos às autorizações necessárias para a continuidade da avaliação completa da área" disse a Petrobrás em nota.
O presidente do Senado e senador pelo Amapá, Davi Alcolumbre, afirmou que a nova autorização representa um avanço para o conhecimento do potencial energético da região. "É mais um passo importante para conhecermos a dimensão do potencial energético da nossa região e uma conquista que renova a esperança de um novo ciclo de oportunidades para o povo amapaense e para o nosso Brasil" disse.
Alcolumbre também defendeu que a exploração avance com medidas de segurança e proteção ambiental. Segundo ele, o objetivo é conciliar o desenvolvimento da atividade com a preservação ambiental e transformar possíveis receitas da exploração em benefícios para a população.
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