Energia

Sinais de petróleo na Margem Equatorial abrem nova frente exploratória

Petrobras anuncia descoberta no Amapá. Alcolumbre comemora e especialistas apontam relevância para segurança energética

Em comunicado, estatal diz que a pesquisa visa ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética justa -  (crédito:  Cezar Fernandes)
Em comunicado, estatal diz que a pesquisa visa ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética justa - (crédito: Cezar Fernandes)

No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), combinaram destravar as pautas prioritárias do governo no Legislativo, a Petrobras anunciou uma descoberta de petróleo na Margem Equatorial brasileira.

A estatal informou, na noite de ontem, que descobriu a presença de hidrocarbonetos em águas profundas na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, a cerca de 175 km da costa do Amapá, no poço exploratório de Morpho, em lâmina d'água de 2.886 metros. 

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Conforme as informações da Petrobras, o intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha. As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, "de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas". "Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Pouco depois do anúncio da estatal, Alcolumbre soltou um comunicado comemorando a descoberta da Petrobras, antes mesmo de o Palácio do Planalto emitir qualquer comunicado a respeito do assunto. "Hoje é um dia histórico para o Amapá e para o Brasil. Um dia que confirma aquilo em que sempre acreditamos: o Amapá é gigante e tem muito a contribuir para o desenvolvimento do nosso país", disse Alcolumbre. Ele contou que foi informado pela presidente da estatal da descoberta.

"Meu reconhecimento a todos os técnicos e profissionais da companhia que conduzem esse trabalho com competência, segurança e respeito ao meio ambiente e às pessoas", acrescentou o parlamentar. O anúncio ocorre um dia após a companhia anunciar novo recorde de produção de petróleo na bacia de Santos, atingindo o marco de 4 bilhões de barris de óleo equivalente (boed) pela primeira vez nos 73 anos da empresa.

De acordo com a companhia, a atuação da Petrobras no bloco FZA-M-59, onde foi feita a descoberta, está alinhada à estratégia da companhia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira, "visando ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética justa". 

Especialistas reconhecem que a exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte — tem grande importância para a produção da Petrobras, pois, sem novas áreas, a produtividade em águas profundas do pré-sal tende a cair a partir de 2030.

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) divulgou nota afirmando que os indícios de petróleo em águas ultraprofundas da Margem Equatorial brasileira confirma que o país tem perspectivas positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e no longo prazos.

"O IBP vê como extremamente importante a confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço exploratório, na Bacia da Foz do Amazonas. A notícia divulgada pela Petrobras é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do País", disse a entidade.

O especialista em infraestrutura Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B. citou a relevância da descoberta. "Apesar de termos ainda pouca informação, essa é uma descoberta relevante, pois é a primeira indicação concreta do potencial da Foz do Amazonas. A Petrobras enfrenta um problema recorrente na indústria: a reposição de reservas. E, possivelmente, a Foz é a única área capaz de compensar no futuro a queda da produção da Bacia de Santos", explicou.

Para ele, a importância dessa descoberta para o país é clara: amplia a margem de segurança energética numa fase de transição que deve demorar cerca de quatro a cinco décadas. "Mas ainda é algo bastante preliminar. A campanha de exploração está apenas começando", alertou. 

Na avaliação do economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), ainda é cedo para avaliar a dimensão da descoberta. "Não temos nenhum número da Petrobras, portanto, não dá para falar se é uma descoberta relevante ou não", explicou. Contudo, ele não tem dúvidas de que essa notícia positiva poderá ajudar na campanha presidencial de Lula para as eleições de outubro.

Já o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, considerou que ainda é pouco provável que essa descoberta possa sacramentar uma vitória de Lula nas urnas em outubro. "O governo pode usar (a descoberta da Petrobras) para mostrar alguma eficiência e marca que o distingue de uma leitura privatizante, mas não me parece que será um fator-chave para o pleito", avaliou. 

 


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postado em 15/08/2026 03:28
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