O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como "falsa" a ideia de que o fim da chamada taxa das blusinhas — imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 —, sancionada nesta quinta-feira (10/9), no Palácio do Planalto, prejudicaria empresas brasileiras da área de comércio.
"Acho que é meio falso o discurso dos empresários que dizem que vão ter prejuízo. Vamos deixar o tempo passar para ver quem é que estava com a verdade", afirmou o líder petista, em discurso realizado após a assinatura do projeto de lei que oficializa o fim da taxa das blusinhas.
De iniciativa do governo federal, o projetou surgiu a partir de uma medida provisória (MP) assinada em maio que derrubava um texto, também de autoria do Executivo, que colocava o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
Essa MP foi aprovada na Câmara e Senado, após negociações entre Lula e os presidentes Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente.
O chefe do Executivo, além de criticar a alegação do empresariado de que o fim da taxa das blusinhas será negativo à economia brasileira, sinalizou incentivo para que famílias de classe média comprem.
"Todo mundo fala que essa lei é para ajudar as pessoas mais pobres. Não é verdade. (...) A classe média compra disso (produtos de até US$ 50). Vamos tirar esse discurso de que (fim da taxa das blusinhas) é para os pobres e não para quem gosta de compra essas coisas", enfatizou.
Crítica do empresariado
O recado de Lula à alegação de que o fim da taxa das blusinhas seria prejudicial ao comércio brasileiro repercutiu pronunciamentos públicos de entidades empresariais contrárias à retirada do imposto sobre produtos importados de até US$ 50.
Uma delas foi a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que publicou um comunicado que apontou o fim da taxa como a degradação do setor secundário brasileiro em detrimento do desenvolvimento de outros países.
“A entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, destacou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade também relembrou um levantamento divulgado em agosto que apontou o fim da taxa das blusinhas como risco a 109 mil empregos e a geração de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026.
