
Em meio ao aumento da tensão no Supremo Tribunal Federal (STF), interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatam que o petista tem procurado evitar que a crise institucional contamine o Palácio do Planalto. A avaliação nas hostes palacianas é de que, apesar da preocupação com os desdobramentos no Judiciário, Lula não demonstra disposição para entrar em clima de pânico diante dos impasses na Corte.
A pessoas próximas, a percepção transmitida é a de um presidente mais tranquilo do que integrantes do próprio governo diante do cenário. Um interlocutor com trânsito no Planalto resume que Lula já atravessou “muitas tempestades” na vida política e, por isso, tenta impedir que a apreensão em torno do STF passe a ditar os movimentos do Executivo.
O cálculo passa também pela experiência acumulada ao longo do atual mandato. Auxiliares lembram que Lula assumiu um país politicamente fraturado, enfrentou uma relação difícil com um Congresso de maioria conservadora e, agora, chega à reta final do governo diante de uma nova turbulência institucional.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, é nesse contexto que o presidente tem procurado separar a preocupação com a crise de uma eventual interferência na condução do Supremo. No Planalto, a leitura é de que existe uma fragilidade que precisa ser administrada, porque a Corte teve papel considerado fundamental na defesa da democracia nos últimos anos.
O incômodo, porém, está justamente no fato de personagens que estiveram no centro dessa atuação terem passado a ocupar o “olho do furacão”. A situação é vista como particularmente delicada por atingir a imagem de uma instituição que, na avaliação do governo, foi decisiva durante os momentos de maior tensão política do país.

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