Combustíveis

Produção de gás natural cresce, mas reinjeção limita oferta ao mercado

Segundo o Observatório do Gás Natural, a produção bruta aumentou 16,74% em 2025, enquanto oferta interna avançou 8,28%

A produção bruta de gás natural no Brasil cresceu 16,74% em 2025, para 65,42 bilhões de metros cúbicos (m³), mas o aumento não se refletiu na mesma proporção na oferta disponível no mercado interno. Segundo o Boletim Técnico do Observatório do Gás Natural, divulgado nesta segunda-feira (14/9), a oferta interna avançou 8,28%, para 34,56 bilhões de m³, enquanto o volume de gás reinjetado e as perdas aumentaram 16,9%, para 35,59 bilhões de m³.

A reinjeção representou cerca de 54% do gás produzido no país, mantendo uma relação elevada e limitando o impacto do crescimento da produção sobre a disponibilidade do combustível para o mercado. O levantamento também aponta queda de 13,61% nas importações, que passaram de 8,07 bilhões para 6,97 bilhões de m³, indicando maior participação da produção doméstica, embora a elevada reinjeção restrinja o avanço da oferta final.

O relatório destaca também que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou a Resolução nº 1.003/2026, que regulamenta o acesso não discriminatório e negociado de terceiros aos terminais de gás natural liquefeito (GNL). A norma determina ainda a adoção de códigos de conduta no prazo de até 90 dias.

Outra medida em discussão é a regulamentação do acesso aos gasodutos de escoamento e às Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGNs) do pré-sal. A minuta entrou em consulta pública e prevê a extinção do direito de preferência após 30 anos de operação. A ANP também criou uma comissão especial para avaliar controvérsias relacionadas ao acesso da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) à infraestrutura operada pela Petrobras.

No mercado livre, o número de consumidores aumentou 20,8% em 2025, passando de 149 para 180. Os contratos registrados na ANP cresceram 25,7%, de 3.395 para 4.267. O boletim aponta, porém, que a expansão está concentrada em contratos de curto prazo, de até um ano, e em modalidades flexíveis, o que amplia as negociações no mercado, mas ainda não representa uma consolidação de contratos de longo prazo.

O relatório também destaca o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que reestruturou as regras e autorizou leilões diretos de curto e longo prazo, coordenados pela PPSA, com prioridade para a indústria de base. A estimativa oficial é que o preço do gás da União possa cair de cerca de US$ 12 para US$ 5 por milhão de BTU (MMBtu) caso sejam solucionadas as restrições de acesso à infraestrutura.

Também foi aprovada a Análise de Impacto Regulatório (AIR) do programa Gas Release, com abertura de consulta pública. O instrumento busca promover a desconcentração do mercado de gás, com resolução prevista para 2026 e início de vigência em 2027.

Na demanda, o crescimento do consumo não termelétrico ocorreu de forma desigual entre os setores. O refino de petróleo avançou 23,94%, enquanto a metalurgia de não ferrosos cresceu 103,82%. Esses resultados compensaram quedas em setores tradicionais, como química, ferro-gusa e aço e alimentos, além da redução no consumo de gás natural veicular (GNV).

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