
O Plenário do Senado Federal retoma, hoje, a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6x1. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter as três sessões de discussão da matéria previstas para esta semana, mesmo diante de uma mudança no clima do Senado.
Regimentalmente, a matéria precisaria de cinco sessões de discussão para ser votada em 1° turno e mais três para o 2° turno. No entanto, um acordo pode acelerar esse processo e adiantar a votação.
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Além do regimento, a votação da PEC ainda esbarra, nesta semana, em outro quesito: o quórum de senadores em Brasília. As sessões convocadas são semipresenciais e acontecem enquanto alguns senadores ainda concorrem ao governo de seus estados. É arriscado votar uma PEC — que demanda ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos — sem a garantia de participação de aliados na sessão.
Há também o clima político. Alcolumbre, que busca ser reeleito presidente do Senado, estaria dando andamento a uma pauta que beneficia diretamente a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à qual o PL é contrário. Desagradar o partido que terá a maioria no Senado em 2027 pode interferir nos planos de Alcolumbre, que precisa do apoio da maioria da Casa para ser reeleito.
Em entrevista à GloboNews, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido não apoiará a reeleição de Alcolumbre e deve tentar emplacar o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), na Presidência do Senado. Ele destacou a insatisfação do PL com Alcolumbre, que vem travando os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante de todos esses aspectos, parte dos aliados do presidente Lula veem uma votação da PEC nesta semana com cautela, ainda que a fase de discussão esteja garantida. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), afirmou que conversará com Alcolumbre para que a apreciação da matéria ocorra até "no máximo" nesta quarta-feira.
"O Davi tem sido muito firme, quer votar e vai votar nesta semana", afirmou à imprensa. Na avaliação dele, a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no 1° turno das eleições não deve influenciar na votação da matéria, que ele considera de interesse do país. "Não mudou nada, a eleição está empatada", disse. Ele se reúne ainda hoje com lideranças do governo para tratar sobre a pauta na Casa.
No último sábado, Flávio demonstrou publicamente a insatisfação com Alcolumbre. "Já temos amigos de Lula no STF, fazendo de tudo, dando canetada, para tentar ajudar ele a se reeleger. Mesma coisa está acontecendo no Congresso, que está capturado pelo governo e pelo STF", disse.
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