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'Flávio Day': o que explica queda do dólar e recorde da bolsa nesta segunda

Analistas explicam motivos que levam investidor a estar mais confiantes com cenário econômico, mas alertam que clima pode mudar rapidamente a depender de propostas

Flávio Bolsonaro (PL) registrou 47% dos votos válidos ante 45% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -  (crédito: Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro)
Flávio Bolsonaro (PL) registrou 47% dos votos válidos ante 45% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - (crédito: Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro)

O mercado financeiro viveu um dia atípico nesta segunda-feira (5/10), logo após o primeiro turno das eleições. Na sessão, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), registrou uma valorização de 7,7% — a maior alta diária desde março de 2020 e, também, a maior registrada no dia seguinte ao primeiro turno de eleições majoritárias neste século.


No mesmo dia, o câmbio também foi favorável ao real. A cotação do dólar comercial cedeu 4,12% nesta segunda-feira e a moeda norte-americana encerrou o pregão sendo vendida a R$ 5,00. O movimento fica ainda mais impressionante tendo em vista que, no exterior, a divisa dos EUA se valorizou ante outras cotações, com o Índice DXY fechando o dia em alta de 0,21%.

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O resultado da bolsa e do dólar no primeiro dia da semana torna impossível dissociar esses movimentos do primeiro turno deste domingo (4), que gerou certa surpresa entre boa parte dos investidores, com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) registrando 47% dos votos válidos ante 45% do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).



Apesar de ter sido uma surpresa para a campanha de Lula, o mercado já trabalhava com a eleição de Flávio como um cenário mais provável, de acordo com os principais bancos de apostas (benchmarks) no exterior, que desde meados de setembro já apontavam favoritismo do candidato do PL.


Na Polymarket — uma dessas plataformas —, Flávio aparece com 83% de chance de vitória contra 17% do petista, após o resultado do 1º turno. É importante ressaltar que esses indicadores não representam pesquisas eleitorais e refletem apenas a percepção de agentes do mercado em relação ao cenário atual.


O que explica a valorização da bolsa?


A valorização acima do normal do Ibovespa nesta segunda-feira está longe de ser um movimento isolado, inclusive ao relembrar de outros dias que se seguiram ao primeiro turno das eleições presidenciais. Em 2022, inclusive, após o resultado que confirmou Lula à frente de Jair Bolsonaro, o principal índice da B3 registrou um crescimento de 5,54%.


Em 2018, na eleição que consagrou Bolsonaro como presidente, a valorização havia sido de 4,57%, enquanto, em 2014, com Dilma Rousseff (PT) à frente da corrida naquela ocasião, o Ibovespa cresceu 4,72%. O dia seguinte à eleição de 2026, portanto, também indica um recorde de alta da bolsa de valores se comparado às edições anteriores.



Um levantamento realizado pela Elos Ayta Consultoria indica, ainda, que o Ibovespa superou o pico histórico de 2008, mesmo descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ao considerar esses efeitos, o maior patamar do principal índice da B3 havia sido de 201 mil pontos em 20 de maio de 2008, enquanto, nesta segunda-feira, ultrapassou os 206 mil pontos.


Rafael Espinoso, portfólio manager da GCB Investimentos, acredita que a forte reação dos mercados após o primeiro turno reflete uma rápida reavaliação do ‘risco Brasil’. Segundo ele, a vantagem de Flávio Bolsonaro foi interpretada por investidores como um sinal de maior probabilidade de adoção de políticas econômicas mais favoráveis ao equilíbrio fiscal e à preservação de um ambiente mais amigável ao investimento privado.


“Como consequência, houve compressão dos prêmios de risco, fechamento expressivo da curva de juros, valorização generalizada das ações e forte apreciação do real”, destacou o especialista, que, para além do resultado eleitoral em si, acredita que o mercado passou a precificar a possibilidade de uma mudança estrutural nas perspectivas para a economia brasileira.


“Caso essa expectativa se confirme ao longo dos próximos meses, o Brasil poderá entrar em um novo patamar de valuation, com reflexos tanto na bolsa quanto no câmbio. Um prêmio de risco estruturalmente menor tende a favorecer múltiplos mais elevados para as empresas listadas, ao mesmo tempo em que sustenta um real mais forte diante da entrada de capitais”, destaca Espinoso.


Influência da governabilidade


Além do resultado presidencial, os investidores também consideraram positiva a renovação de dois terços do Senado Federal em um perfil mais alinhado com Flávio, que lidera as pesquisas, o que indica uma capacidade de governabilidade maior que, inclusive, seu opositor, Lula, teve nos últimos quatro anos.


“Foi uma varredura da esquerda, praticamente, do Congresso e a direita ganhando um protagonismo como não visto nas últimas décadas. Ou seja, a vida do Flávio Bolsonaro, caso ele seja presidente, está muito mais fácil, e a vida do Lula, se ele for reeleito, vai ficar muito mais difícil”, avalia Luan Aral, trader e especialista em dólar da Genial Investimentos.



O analista acredita que o mercado pode passar por alguns meses de euforia, a depender das medidas que podem ser implementadas em eventual governo Bolsonaro 2.0. “Teremos talvez dois a três meses de euforia até assumir ali em janeiro. Só que depois o mercado vai cobrar, vai querer ver ação, efetivamente, vai querer ver resultado, vai querer ver prática e não só discurso”, destaca.


Para o analista da Miura Investimentos André Souza, no entanto, é necessário ficar atento à volatilidade nos próximos dias, visto que o cenário de disputa eleitoral deve seguir acirrado durante as três semanas que as campanhas terão antes do segundo turno. Segundo ele, no entanto, o resultado de domingo indicou que o mercado espera, além de qualquer outra coisa, por renovação da política fiscal.


“Os votos que ele teve foram, inclusive, maiores do que os que o pai dele teve há quatro anos, e uma coisa eu te digo: é tempo de mudança. O mercado está esperando mudanças. Chega do continuísmo, chega de governo que contamina a economia, que faz a economia andar para trás”, pontuou.



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postado em 05/10/2026 19:57
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