
Após chegar a cair 1,6% ao longo do dia, o Ibovespa — principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) — recuperou quase todas as perdas e encerrou a sessão desta quarta-feira (14/10) em baixa de 0,18%, aos 206.505 pontos. Perto da estabilidade, o índice oscilou durante boa parte da tarde e chegou a operar acima do fechamento anterior.
A recuperação ganhou força após Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, afirmar que a alta do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos em setembro foi impulsionada pelo setor de energia e tende a ser temporária. Divulgado no início da manhã, o indicador subiu 0,6% em relação ao mês anterior, acima das expectativas do mercado.
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Em 12 meses, a inflação dos Estados Unidos chegou a 3,7%, acima da expectativa de 3,6% e dos 3,4% registrados em agosto. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês, acima da projeção de 0,2% e no mesmo ritmo de agosto. Na comparação anual, o indicador avançou 2,6%, ante expectativa de 2,5% e resultado de 2,4% no mês anterior.
Em setembro, os preços da energia subiram 5,2%, impulsionados principalmente pela gasolina, que teve alta de 9,1% e respondeu por mais da metade da elevação mensal do CPI. Já o setor de habitação avançou 0,4%, após alta de 0,3% em agosto.
Para Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, o principal ponto de atenção do resultado foi o núcleo da inflação. “A combinação de núcleo acima do esperado e aceleração anual, com a inflação ainda distante da meta de 2%, reforçou a leitura de que os preços seguem como prioridade do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, e ampliou as apostas em nova alta de juros ainda em outubro”, avalia.
No Ibovespa, as maiores altas vieram das empresas de petróleo e energia, favorecidas pela valorização da commodity no mercado internacional. Em meio à escalada dos ataques houthis na Arábia Saudita, os preços do petróleo voltaram a subir. O barril do Brent, com vencimento em novembro, fechou em alta de 0,35%, a US$ 106,06. Já o West Texas Intermediate (WTI) avançou 1,01%, a US$ 95,09.
As ações preferenciais (PN) da Petrobras subiram 2,22%, enquanto as ordinárias (ON) avançaram 1,97%. Outras empresas também figuraram entre as maiores altas do índice: Prio (2,29%), Copasa (1,97%) e Axia Energia (1,8%).
“A valorização do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, favoreceu as ações da Petrobras e de outras petroleiras, ajudando a reduzir as perdas do índice ao longo da tarde”, comenta Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Na ponta negativa, as ações da construtora Tenda lideraram as perdas, com queda de 5,46%. Usiminas, Magazine Luiza, Cyrela e Minerva também recuaram mais de 4%. Apesar das baixas, Felipe Passero, especialista e sócio da Jaguaretê Investimentos, avaliou que o movimento foi menos intenso do que na sessão anterior.
“Essas mesmas empresas mais alavancadas caíram mais ontem do que hoje, então hoje teve uma correção mais leve. Eu acho que o dia amanheceu um pouco mais pessimista, mas a coisa melhorou ao longo do dia, teve divulgação aí, circulou pelo mercado alguns trackings de pesquisa eleitoral e aí eu acho que o mercado deu uma acalmada”, destacou Passero.
Com o resultado desta quarta-feira, o Ibovespa acumula queda de 1,22% no período informado, mas ainda registra alta de 10,82% desde o início de outubro, impulsionado principalmente pelo desempenho da semana seguinte às eleições.
No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,17%, cotado a R$ 5,02. O movimento acompanhou a valorização do índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana em relação a uma cesta de divisas, com avanço de 0,35%.



