
A Emenda Constitucinal n° 141, que cria a escala 5x2 de trabalho, foi publicada, nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial da União. Com a publicação, a primeira etapa da nova regra passa a valer a partir do dia 16 de dezembro, uma vez que a proposta previa um prazo de dois meses para a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais.
Enquato parte do setor produtivo ainda calcula os impactos do fim da escala 6x1 de trabalho, alguns grupos empresariais iniciaram a mudança bem antes da votação do projeto, demonstrando a viabilidade de escalas mais curtas de trabalho, especialmente a 5x2. Grandes empresas conseguiram implementar os dois dias de folga sem prejuízo ao faturamento, e relataram, inclusive, maior retenção de funcionários em áreas com altos índices de rotatividade.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
- Leia também: 'Fim da escala 6x1 não é um favor, é dignidade'
Um dos setores pioneiros a fazer a mudança foi o das farmácias. O Grupo DPSP foi o primeiro, em agosto do ano passado. Ele é responsável pelas Drogarias Pacheco e São Paulo, e a redução dos dias trabalhados beneficiou 24 mil funcionários do grupo. A quantidade de horas, porém, manteve-se em 44 semanais — a nova lei determina a redução para 42, inicialmente, até chegar a 40 horas daqui a 14 meses.
Depois, outras empresas do setor foram na mesma esteira. A RD Saúde, da Droga Raia e Drogasil, fez a transição também no ano passado, de forma gradual. Hoje, mais de 75 mil trabalhadores atuam por cinco dias na semana, mas também mantêm as 44 horas. Drogaria Globo e Farmácia São João foram no mesmo caminho.
Supermercados
Grupos de supermercados também já adotaram a nova escala. O Grupo Supernosso, de Minas Gerais, iniciou a adoção em março, em três das suas 45 unidades. Segundo a própria empresa, houve uma melhora na retenção de funcionários, sem prejuízo à produtividade. A rede Pague Menos, por sua vez, adotou a 5x2 em 18 das suas 40 unidades, no estado de São Paulo. Da mesma forma, relatou melhor na satisfação e no engajamento dos funcionários.
Segundo avaliação da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), grandes redes conseguem se adaptar ao novo modelo sem repassar preço aos consumidores, mas supermercados menores terão mais dificuldade com a redução de jornada.
Na hotelaria, duas marcas de luxo também anunciaram a redução de escala no ano passado. O Copacabana Palace, hotel mais famoso do Rio de Janeiro, adotou o modelo para 600 funcionários, 90% do quadro. Apenas a equipe de segurança ficou de fora, seguindo a escala 12x36 horas. Já o Palácio Tangará, de São Paulo, colocou todos os seus colaboradores no regime 5x2, e reduziu de 44 para 42 as horas semanais.
Há exemplos da redução antecipada da escala, inclusive, no setor de bares e restaurantes, um dos mais afetados pela mudança. É o caso da rede Gurumê, que aplicou a 5x2 em algumas unidades, inclusive a que fica no ParkShopping, em Brasília. Na franquia McDonald's, algumas unidades também passaram a oferecer vagas com escala reduzida, de 40 horas semanais e dois dias de descanso, para atrair novos funcionários.
Em geral, porém, o setor vê a mudança de forma bem negativa. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em nota divulgada após a aprovação da PEC, os impactos são "gravíssimos e ainda pouco conhecidos pela sociedade pela sociedade". A entidade já chegou a classificar a mudança como uma "tragédia socioeconômica".
Mineração
No setor de mineração, a Vale assinou, em maio deste ano, um acordo formalizando a adoção do modelo 5x2 para todos os seus funcionários, após negociação com o Sindicato dos Trabalhadores da Vale do Rio Doce de Itabira e Região. Já a AngloGold Ashanti adota, desde 2024, um modelo 4x3 para funcionários administrativos, e 4x4 para operações subterrâneas.
Esse modelo, 4x3, é mais raro, ainda experimental. Ele foi defendido inicialmente pela deputada federal Erika Hilton (PSol-SP), quando a discussão sobre redução de jornada ganhou força nas redes sociais. Segundo o projeto 4 Week Day, que incluiu 19 empresas brasileiras com 243 colaboradores, testando o modelo durante um ano, houve melhora significativa na satisfação e produtividade dos funcionários. Porém, o estudo apontou dificuldades em manter o modelo a longo prazo, caso a liderança não esteja comprometida ou falte organização.
Esportes
Concursos
Cidades DF
Política
Política