Mercado financeiro

Eleições: 'índice do medo' da B3 dispara e atinge maior valor da história

O S&P/B3 Ibovespa VIX é conhecido desta maneira por medir a volatilidade da bolsa brasileira e indica que há mais incerteza em relação ao mercado

VIX é calculado a partir dos preços das opções de compra e venda, que são contratos utilizados para proteção e hedge -  (crédito: Nelson Almeida/AFP)
VIX é calculado a partir dos preços das opções de compra e venda, que são contratos utilizados para proteção e hedge - (crédito: Nelson Almeida/AFP)

A falta de certezas de previsibilidade sobre o futuro do país no campo econômico preocupa os investidores na reta final do segundo turno das eleições presidenciais. Apesar do candidato Flávio Bolsonaro (PL) ter despontado à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, as pesquisas mais recentes mostram que ainda não há nada definido no pleito de 2026.


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A pesquisa publicada pelo Instituto Datafolha na noite desta quinta-feira (22/10) mostra Flávio e Lula empatados com 50% nos votos válidos e 47% x 46% para o senador na contagem geral das intenções. No primeiro turno, a diferença entre os dois foi de 2,22 milhões de votos, com vantagem para o candidato do PL.


Como termômetro para medir o nível de incerteza do mercado à véspera das eleições, o S&P/B3 Ibovespa VIX, é conhecido popularmente como o “índice do medo”. Ele mede a possibilidade de intensa volatilidade futura do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e varia de 0 a 100 pontos, sendo zero nenhum risco e o contrário, risco total.





No entanto, até esta quinta-feira, o índice nunca tinha ultrapassado o patamar de 30 pontos — acima disso, o mercado considera um cenário de forte turbulência e aversão ao risco. Na sessão de hoje, ele chegou ao patamar mais elevado da série histórica, ao disparar 6,72% em apenas um dia e chegar a 45,27 pontos.


Diferentemente dos índices que acompanham a valorização das ações, o VIX é calculado a partir dos preços das opções de compra e venda, que são contratos utilizados para proteção e hedge (proteção). O VIX não indica se a bolsa vai subir ou cair, mas mensura a amplitude das oscilações de preços esperadas pelos investidores, como explica o economista-chefe da Bluemetrix Asset, Renan Silva.


“Diante de visões econômicas divergentes e disputas acirradas nas pesquisas, o mercado passa a precificar uma maior volatilidade, mesmo, ou variabilidade de retornos possíveis após a apuração”, destaca Silva, que ressalta, no entanto, que o índice do medo tende a atingir sua máxima na reta final da campanha e passar por uma queda acentuada assim que os resultados são confirmados e as incertezas são reduzidas.










O analista Felipe Sant’Anna explica, no entanto, que uma “disparada” do VIX não significa necessariamente que o mercado esteja preocupado ou desesperado. Na verdade, os investidores fazem suas apostas, com uma parcela apostando na vitória de Flávio e a outra, na de Lula. Nesse contexto, ele destaca que é normal uma elevação abrupta desse índice — que chegou ao Brasil em 2024 e já existia nos EUA — em momentos de decisões importantes.


“O VIX vai aferir o comportamento do mercado em relação às opções, mais ou menos, para entender se os investidores neste momento estão buscando proteção, estão buscando proteger sua carteira, seus ativos, de uma queda abrupta, ou mesmo, montando posições apostando em uma alta por causa do resultado de segundo turno no domingo no Brasil”, esclarece Sant’Anna.


Bolsa e dólar refletem temor


Nos últimos dois dias, o Ibovespa acumula queda de quase 2%, após subir 1,5% na terça-feira (20), quando as pesquisas indicavam estabilidade no favoritismo de Flávio para o segundo turno. No entanto, com o crescimento da campanha de Lula na reta final, aumenta a incerteza sobre quem deve vencer a disputa no próximo domingo (25), que segue cada vez mais aberta para ambos os lados.


O temor se reflete também no câmbio. No fechamento desta quinta-feira, o dólar chegou a R$ 5,03, com alta de 0,22%. Para o estrategista da RB Investimentos Gustavo Cruz, a eleição segue acirrada, e o debate econômico entre os candidatos não é positivo. “Ambos os candidatos fizeram afirmações que vão contra uma solução para o crescimento do endividamento brasileiro descontrolado”, destacou o especialista, que enxerga os investidores em posição defensiva, imaginando que uma vitória do presidente Lula teria como reação “queda da bolsa, desvalorização do câmbio e piora da curva de juros e inflação”.








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postado em 22/10/2026 20:22 / atualizado em 22/10/2026 22:19
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