Caso Master-BRB

PF indicia Vorcaro e outras 14 pessoas

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa está entre os indiciados. A acusação é fruto da operação Compliance Zero, que investiga fraude na tentativa de compra do Master pelo banco público de Brasília, que teria perdido pelo menos R$ 8 bi

Preso desde abril, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi indiciado pela PF por gestão fraudulente e organização criminosa -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Preso desde abril, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi indiciado pela PF por gestão fraudulente e organização criminosa - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A Polícia Federal enviou, ontem, ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório parcial do indiciamento do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, além de outras 13 pessoas que, para a PF, estariam envolvidas na fraude envolvendo o Master e o BRB.

O então diretor do Banco de Brasília é acusado de participar da oficialização da compra de títulos de crédito inexistentes do Banco Master, instituição comandada por Vorcaro até o Banco Central liquidá-lo, em novembro de 2025. A operação que oficializou a compra de títulos do Master pelo BRB, segundo a própria instituição, causou prejuízo de cerca de R$ 8 bilhões.

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Com mais de 700 páginas, o relatório do indiciamento foi resultado das primeiras e quartas fases da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o documento é parcial e a investigação ainda será ampliada, com a conclusão de novas perícias e apresentação de um relatório complementar sobre possíveis envolvimentos das pessoas indiciadas em crimes financeiros. Para isso, a PF pediu ao STF, junto ao material enviado ontem, um prazo adicional de 60 dias.

O documento produzido pela PF, assim como o pedido por maior prazo, será analisado pelo ministro André Mendonça, o relator da Operação Compliance Zero no STF.

Defesas

Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa estão presos no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Em nota, a defesa de Vorcaro classificou o indiciamento como "ato açodado e afoito" e afirmou que o relatório repete a narrativa de um ano atrás, sem fato ou prova novos. Segundo os advogados do ex-banqueiro, a própria PF teria reconhecido que há perícias em andamento e pessoas relevantes não ouvidas, e nenhuma perícia oficial apurou prejuízo ao BRB. A defesa sustenta ainda que a relação entre Master e BRB é matéria cível, e não criminal, e pede o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva de Vorcaro.

A defesa de Paulo Henrique Costa, indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa, disse ter recebido o indiciamento "com surpresa" e afirmou que a PF submeteu os fatos às suas hipóteses acusatórias. Segundo os advogados, mensagens e depoimentos mostram que Costa não sabia das fraudes nas carteiras, e foi quem as detectou, exigindo R$ 25 bilhões em garantias e comunicou o caso ao Banco Central. A defesa afirma que não há vantagem financeira apontada contra ele, que todas as decisões eram colegiadas e que ele tinha alçada zero. Também reclama que a prisão preventiva, de mais de 180 dias, não foi revista, e diz confiar que a PGR descartará as acusações.

Novos indiciamentos

A Polícia Federal também dará andamento à conclusão de investigações que apuram possíveis envolvimentos de políticos e outros empresários no cometimento de crimes financeiros. Pessoas próximas a André Mendonça projetam que a passagem das eleições — finalizadas no último domingo, com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — dará celeridade ao andamento das investigações e, por consequência, com novos indiciamentos nos próximos meses.

Entre os casos pendentes de indiciamento pela PF, estão as suspeitas de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e de Daniel Vorcaro, e outros benefícios em troca de "favores".  O parlamentar, que respondeu em operação de busca e apreensão em junho deste ano, nega irregularidades na relação com o banqueiro Augusto Ferreira Lima.

Outro político investigado por suposto envolvimento com o Banco Master em fraudes financeiras, o presidente do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), é apontado por, supostamente, ter recebido propina de Daniel Vorcaro para elaborar uma emenda propondo a ampliação da garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. 

Esse trecho, que segundo a PF teria sido escrito pelo Banco Master, seria incluído na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a autonomia administrativa, financeira, orçamentária, contábil, operacional e patrimonial ao Banco Central do Brasil. Porém, a PEC não chegou a ser votada no Congresso.

O parlamentar nega as acusações da Polícia Federal de que teria apresentado uma emenda redigida pelo Banco Master ou recebido pagamentos ilícitos do banqueiro Daniel Vorcaro.

Eis a listados dos demais indiciados:

  • Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master;
  • Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Master;
  • Luiz Antonio Bull, ex-diretor do banco;
  • Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-superintendente do Master;
  • Allan da Silva Machado;
  • Henrique Souza e Silva Peretto, empresário;
  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia, então responsável pela Tirreno;
  • Daniel Lopes Monteiro, advogado do Master;
  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-diretor do BRB;
  • José Maria Correa Dias Junior, ex-diretor do BRB;
  • Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor do BRB;
  • Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora do BRB;
  • Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-diretora do BRB.

*Estagiária sob a supervisão de Edla Lula

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postado em 28/10/2026 22:28
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