O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu nesta terça-feira (20/10) a proposta do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para comprar e congelar por até um ano as dívidas dos brasileiros.
Segundo Durigan, fazer isso levaria a um “calote geral” na economia, e travaria o fornecimento de crédito para empresários e cidadãos, além de manter as pessoas no endividamento.
“Me chamou atenção, porque aquela promessa, que parece boa, à primeira vista, até parece que vai te ajudar. Mas, no fundo, é o contrário. É algo impossível de ser implementado e que prejudicaria diretamente você, empresário, cidadã, que precisa de crédito para comprar um móvel, uma geladeira, ou até a casa própria”, disse Durigan em vídeo publicado nas redes sociais.
“Nenhum governo tem o poder de implementar um calote geral na economia que, na prática, travaria todos os sistemas de crédito. Se isso acontecer, no dia seguinte, você, que precisa de um crédito para antecipar uma fatura do seu negócio, ou que for financiar a compra de um bem em qualquer loja, ou o produtor rural, que precisa do crédito para viabilizar a sua safra, tudo isso estaria inviabilizado”, acrescentou.
Congelamento de dívidas
Flávio anunciou a proposta durante o debate promovido pela TV Band, no último domingo (18). Segundo o senador, a ideia é que o governo compre as dívidas dos bancos, e que congele os pagamentos por seis meses, para pessoas físicas, e por um ano, para empresas, com desconto nas parcelas.
Durigan, em sua manifestação, defende que não há solução mágica para o endividamento, e que as várias versões do Desenrola, anunciadas pelo atual governo, têm impacto positivo para as famílias, ao contrário da proposta de Flávio.
“O prejuízo ficaria no seu bolso, porque, se o sistema financeiro fica sem receber trilhões de reais por até um ano, não haverá recurso para esses novos créditos. E, no limite, nem para devolução do dinheiro que você tem em investimento e depositado em contas bancárias”, afirmou.
