Política pública

'Mercado apostou e perdeu', diz Luiz Marinho

Ao comentar a geração de 121,3 mil vagas de emprego, ministro criticou o desespero da Bolsa após a reeleição do presidente Lula

Em entrevista coletiva, Marinho salientou que
Em entrevista coletiva, Marinho salientou que "Faria Lima" interdita qualquer discussão sobre juros - (crédito: Darkyson/MTE)

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, aproveitou a divulgação, ontem, dos dados sobre emprego formal, para tecer duras críticas à reação do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o ministro, o mercado apostou em um programa de governo e em um candidato que perderam, mas quer exigir que Lula siga o modelo "perdedor".

"Eles defenderam uma tese, defenderam um candidato, defenderam um programa, apostaram, fizeram aposta especulativa e o programa perdeu. O candidato perdeu, o programa perdeu, e agora quer que o vencedor assuma o programa do perdedor. O perdedor está escondido nos Estados Unidos, esquece isso", afirmou, dizendo que o mercado quer "amarrar" Lula a uma tese perdedora.

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A entrevista coletiva sobre o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ocorreu antes de o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano.

O resultado do Caged em setembro foi positiva, com a geração de 121.305 vagas, mas o resultado foi o pior para o mês de setembro desde que o Novo Caged foi criado, em 2020. Marinho atribuiu a desaceleração à taxa de juros. "Dados são reflexo da desaceleração do crescimento. A taxa de juros vem machucando o ritmo de investimentos e isso reflete no número de empregos gerados. Também pode ter pontualmente mudanças de segmentos que podem diminuir emprego e sendo compensado por vendas on-line", disse o ministro.

Marinho criticou as reações à proposta do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, de limitar a Selic a 7,5%. "Acho absurdo que, a qualquer tentativa de discussão (sobre juros), haja uma grita contrária vinda da Faria Lima", afirmou, em referência à reação do mercado financeiro. "Inaceitável é ter e continuar com os juros altos que pagamos. É ruim para todo mundo, consumidor, trabalhador, produtor e empresário."

O ministro defendeu que propostas externas ao governo sejam ouvidas. "Se a ideia tiver esforço para reduzir os juros, ela tem que ser escutada. A coisa mais natural do mundo é o governante receber contribuições", disse. Não há, porém, reunião prevista entre Lara Resende e o presidente Lula.

O saldo de setembro resulta de 2.214 437 milhões de admissões e 2,093.132 milhões de desligamentos no mês. Quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas tiveram saldo positivo. Serviços liderou, com 81.241 vagas, seguido por Indústria (19.285), Comércio (15.697) e Construção (9.468). A Agropecuária foi a única a fechar postos: 4.381.

Acumulado até setembro

De janeiro a Setembro de 2026, o saldo de emprego chegou a 1.248.914 postos de trabalho, crescimento de 2,65%, sendo positivo nos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas. Entre os setores, o melhor desempenho foi o de Serviços, com 775.774 vagas, alta de 3,39%.

A Construção abriu 207.434 vagas (7,03%), puxada por Obras de Infraestrutura (82.909), Construção de Edifícios (66.883) e Serviços Especializados para Construção (57.642). A Indústria teve saldo de 188.563 postos (2,10%), com destaque para Fabricação de Produtos Alimentícios (55.929) e de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias (26.878).

A Agropecuária gerou 51.893 vagas (2,87%), sobretudo em Atividades de Apoio à Agricultura e à Pecuária (15.353), Cultivo de Café (7.464) e Cultivo de Alho (3.667). Já o Comércio teve o menor avanço: 25.280 postos, crescimento de 0,24%.

O salário médio real de admissão em setembro foi de R$ 2.429,41, queda de R$ 1,10 (0,05%) em relação a agosto (R$ 2.430,51). Na comparação com setembro de 2025 (R$ 2.384,50), houve alta de R$ 44,90 (1,88%).

Todos os estados registraram saldo positivo no período. Em números absolutos, lideram São Paulo (322.551), Minas Gerais (129.777) e Rio de Janeiro (86.489). Em termos relativos, as maiores variações foram no Amapá (7,75%), em Roraima (4,54%) e no Piauí (4,52%).

Fim da escala 6x1

Marinho afirmou que o governo prepara o decreto que regulamentará o fim da escala 6x1, com publicação prevista para a próxima segunda-feira. "Pretendo trazer um processo coordenado junto a todo o setor da economia para a implantação das várias escalas que cada setor, eventualmente, pretenda implantar, respeitando rigorosamente a PEC", declarou.

Segundo o ministro, o texto exigirá que o trabalhador tenha oito folgas consolidadas a cada mês. "A PEC não permite que não estejam garantidas dentro dos 30 dias as oito folgas e não permite redução do salário", ressaltou.

Se empresa e sindicato não fecharem acordo sobre a distribuição das folgas, o decreto prevê a adoção da escala 5x2. A regra, porém, pode ser alterada por negociação coletiva. "O papel dos contratos coletivos de trabalho terá um papel determinante, essencial no processo de regular as escalas respeitando o comando da PEC", explicou Marinho.

 


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postado em 04/11/2026 23:27
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