JUROS

Fazenda defende ajuste fiscal 'gradual' em Lula 4 e nega tabelar Selic

A ideia de reduzir a taxa básica de juros por iniciativa do Executivo é defendida por aliados do governo, entre integrantes do PT e a ex-ministra Gleisi Hoffmann

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta terça-feira (3/11) um ajuste fiscal “gradual” e negou que o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Lula 4 — vá atuar para tirar a independência do Banco Central com o objetivo de intervir na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13% ao ano.


“Estamos tratando de um ajuste gradual que respeite os compromissos de campanha, que seja justo em relação aos mais pobres”, disse o ministro. Em seguida, durante conversa com jornalistas na Fazenda, Durigan chamou de “incipiente” a ideia sustentada pelo economista André Lara Resende de colocar a Selic em 7,5% e utilizar recursos das reservas internacionais brasileiras para eventuais descontroles no câmbio.



“Não é uma proposta a ser avaliada ainda. E tem várias deficiências, do meu ponto de vista, vários problemas que estão colocados e que eu mesmo, a minha equipe vai poder conversar com ele, com outros economistas, como já temos feito, mas não há nada nesse sentido sobre a mesa. É importante deixar claro”, frisou.


Aliados


A ideia de reduzir a taxa de juros por iniciativa do Executivo é uma bandeira sustentada por aliados de Lula, entre integrantes do PT e a ex-ministra Gleisi Hoffmann. “Artigo de André Lara Resende, publicado em 25 de setembro, é fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”, escreveu Gleisi, ao compartilhar nas redes sociais o texto escrito por Lara Resende, um dos economistas responsáveis pelo Plano Real.



A proposta de Lara Resende foi defendida pelo ex-presidente da Petrobras e um dos coordenadores do plano de governo de Lula, o economista José Sérgio Gabrielli. “Merece atenção especial a proposta de André Lara Resende de criação de um mecanismo mais amplo do que o CMN (Conselho Monetário Nacional) para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil. O pior dos mundos é a situação de conflito de objetivos entre as duas políticas no curto prazo”, escreveu. “A política fiscal deve ser suficientemente flexível para se ajustar a um cenário de redução, bem como de crescimento da economia”, acrescentou.


As discussões sobre como será a política econômica de Lula 4 e quais são as melhores estratégias para reduzir a taxa básica de juros ocorrem na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidirá se a taxa básica de juros, atualmente em 13%, será mantida, reduzida ou elevada.



O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, questionou por que a decisão sobre a Selic pode ser impactada pelo aumento da curva de juros futuros diante da vitória de Lula nas urnas e sustentou que essa taxa deveria ser decidida pela “economia brasileira, não pelo humor do mercado financeiro”.


“É sério que da sexta-feira antes do segundo turno até aqui o mercado alterou completamente suas projeções em relação à taxa básica de juros? Quer dizer que se Flávio Bolsonaro tivesse sido eleito a redução seria de 0,5% ainda este ano e com a eleição de Lula é ZERO, vão manter os atuais 13,75%? É escandaloso! Não há nada de técnico nisso. Estão fazendo política e sabotando a nossa economia”, publicou em seu perfil nas redes sociais.



 


 


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