
A disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro mobiliza artistas e lideranças políticas dentro e fora do Brasil. A poucos dias do segundo turno, no próximo domingo recebem manifestações públicas por meio de vídeos, publicações nas redes sociais e declarações em eventos. A mobilização amplia a repercussão internacional da eleição.
No meio artístico brasileiro, o principal movimento aconteceu sábado, quando inundaram as redes sociais vestidos com camisas da Seleção Brasileira de futebol ou com alguma roupa verde ou amarela. Entre os que registraram apoio a Lula estão, entre outros, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Chico Buarque, Ivete Sangalo, Paulinho da Viola, Zélia Duncan, Fafá de Belém e Cissa Guimarães. A mobilização também conta com atores como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Wagner Moura, Gloria Pires, Caio Blat, Claudia Abreu e Marieta Severo, além do cineasta Kléber Mendonça Filho.
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No rock, o músico Evandro Mesquita e o cantor Lenine declararam apoio a Lula. Os Titãs afirmaram, em conjunto, que votam no presidente para preservar a democracia. A banda norte-americana The Strokes também se posicionou pelo petista — no Instagram, o grupo compartilhou uma montagem com uma imagem histórica de Lula e uma estrela vermelha, afirmando estar ao lado da democracia, dos trabalhadores e da esperança.
O guitarrista Tom Morello, da banda Rage Against the Machine, divulgou vídeo em que convoca brasileiros a votarem em Lula. Para o músico, a eleição representa uma disputa contra o fascismo e a concentração de poder. O também guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, publicou foto engajando-se na campanha pela reeleição do presidente.
Outros artistas internacionais, como Eloy Casagrande, baterista brasileiro do Slipknot; Oliver Sykes, vocalista da banda britânica Bring Me the Horizon; e Finneas, cantor e produtor norte-americano, também manifestaram posicionamentos favoráveis ao petista.
Na seara musical, a campanha de Flávio tem buscado ampliar a participação de artistas identificados com a direita. Em manifestações públicas, o senador recebeu apoio do cantor Amado Batista e da apresentadora e blogueira Penélope Nova. Artistas sertanejos, como Ana Castela, Leonardo e Zezé Di Camargo, também são associados ao campo bolsonarista e manifestaram apoio ao candidato.
O futebol não ficou à parte da polarização. Enquanto Neymar, atacante do Santos, é apoiador de Flávio, assim como o hoje comentarista e ex-jogador do Fluminense Felipe Melo, Richarlison — atacante do Tottenham, da Inglaterra — e o ex-jogador Juninho Pernambucano, do Vasco, manifestam adesão à campanha do petista. No MMA e no jiu-jítsu, Flávio tem maior engajamento — o lutador Ralph Grace entregou, em agosto, uma faixa preta ao candidato, repetindo o gesto do pai, Robson Grace, com o ex-presidente Jair Bolsonaro, na campanha de 2018.
Apoio externo
A disputa presidencial brasileira mobiliza, inclusive, lideranças políticas no exterior. Uma das principais manifestações, nesse caso a favor de Lula, veio da Itália. Em carta tornada pública quinta-feira, um grupo de líderes políticos da oposição italiana expressou "profunda preocupação" com a possibilidade da eleição de Flávio. A manifestação conjunta foi assinada pelos seguintes políticos: a secretária do Partido Democrata da Itália, Elly Schlein; o secretário nacional da Sinistra Italiana e deputado Nicola Fratoianni; o ex-primeiro-ministro da Itália e presidente do Movimento 5 Estrelas, Giuseppe Conte; e o deputado pela Alleanza Verdi Sinistra, Angelo Bonelli.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também manifestou apoio a Lula. Em publicação no X, quarta-feira, Sánchez afirmou que o presidente "representa um Brasil que luta contra a injustiça e a desigualdade, que amplia os direitos e que defende a democracia contra o autoritarismo. Esse Brasil merece continuar avançando rumo a um futuro de esperança e progresso. Por isso, todo o nosso apoio a Lula".
Já o ex-presidente da Colômbia Gustavo Petro publicou nas redes uma montagem em que aparece abraçando Lula, com a frase "Brasil por la libertad" ao fundo.
Por sua vez, Flávio recebeu o apoio de 11 ex-presidentes latino-americanos integrantes do Grupo Liberdade e Democracia. Em nota publicada quarta-feira, os membros destacaram o papel do Brasil para o futuro da América Latina, na promoção da estabilidade e do desenvolvimento econômico e da liderança regional.
Assinam o texto os ex-presidentes Iván Duque (Colômbia), Mario Abdo Benítez (Paraguai), Guillermo Lasso e Jamil Mahuad (Equador), Mauricio Macri (Argentina), Jorge "Tuto" Quiroga (Bolívia), Vicente Fox (México), Mireya Moscoso (Panamá), Mariano Rajoy (Espanha), Juan Guaidó (Venezuela) e Luis Fortuño (Porto Rico).
Também fizeram declarações a favor de Flávio o presidente da Argentina, Javier Milei; o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; o vice-premiê italiano Matteo Salvini; María Corina Machado, ex-deputada venezuelana; e Trump.
*Rafaela Bomfim é estagiária sob a supervisão de Fabio GrecchiSaiba Mais
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