
Uma apresentação para o torcedor do Ceilândia jamais tirar da memória. Assim pode ser definida a épica classificação do Gato Preto diante do Coritiba, na primeira fase do Copa do Brasil, na noite desta quinta-feira (27/2). Em um Estádio Abadião lotado iluminado pela festa dos mais de dois mil torcedores presentes nas arquibancadas, o Gato Preto reuniu forças para eliminar os paranaenses. O jogo teve de tudo: golaço de bicicleta do atacante Felipe Clemente, sofrimento e emoção para garantir um brigado 2 x 2 no tempo regulamentar e frieza, com direito a brilho do goleiro Edmar Sucuri, para garantir a vaga história nos pênaltis, por 4 x 2.
Desde antes de a bola rolar, a comunidade de Ceilândia comprou o sonho do time. Após esgotar os ingressos ao longo da semana, os ceilandenses protagonizaram uma bonita festa no Abadião e não abandonaram o Gato Preto. Havia show de luzes, balões e cantorias para guiar a equipe. Os jogadores retribuíram com empenho. Artilheiro da noite, Felipe Clemente colocou a bola na rede duas vezes. O primeiro, em uma bicicleta plasticamente perfeita, foi digno de Prêmio Puskás. Quando a decisão se encaminhou para a marca da cal, Sucuri reacendeu a velha fama de pegador de pênaltis. Enquanto o time ostentou 100% de aproveitamento nas cobranças, o goleiro vestiu a capa de herói com duas defesas.
Classificado, o Ceilândia ganha um importante reforço para o caixa. Com Série D do Campeonato Brasileiro e o restante do Candangão pela frente, o alvinegro receberá um pix de R$ 830 mil pelo feito de eliminar o Coritiba, time de segunda divisão do futebol nacional. O adversário na segunda fase do certame está definido: será o Maracanã (CE). Ainda não há data definida para o confronto, também em partida única. Mas, por ter posicionamento melhor no ranking da CBF, o Gato Preto definirá a vaga como visitante. De toda forma, levará consigo toda a sinergia vivida no Abadião.
O jogo
A partida começou com o Coritiba pressionando o Ceilândia. O Gato Preto aproveitava as oportunidades de bola parada para tentar abrir o placar. Do outro lado, o Coxa encontrava dificuldade para finalizar contra a meta adversária com perigo. A equipe do Distrito Federal se valia dos espaços deixados pelos paranaenses na tentativa de surpreender.
Na tentativa de abrir o placar para os visitantes, Everaldo recebeu pela esquerda e encontrou Sebastian dentro da área para a finalização alviverde, mas Sucuri fez a defesa para manter o zero no placar. Na chegada alvinegra, Felipe Clemente aproveitou o rebote do goleiro Morisco e mandou para o gol, mas a bola passou por cima da meta adversária. Na reta final do primeiro tempo, o Coritiba ficou mais ofensivo. O gol não veio por detalhe. A sequência de bolas na trave e defesas de Sucuri seguraram o 0 x 0 no Estádio Abadião.
Praticamente toda a carga de emoção ficou reservada para o segundo tempo. E o Gato Preto tirou o grito de gol da garganta primeiro. Aos cinco minutos, Paulinho lançou na grande área, a zaga afastou mal e a bola se ofereceu para Felipe Clemente. Posicionado, o jogador armou e acertou uma linda bicicleta. A finalização plástica encontrou a rede e levou a torcida à loucura. Mas durou pouco. A resposta alviverde foi imediata. Na jogada com Everaldo, Josué cruzou para área e o desvio de cabeça do camisa 11 Lucas Roiner deixou tudo igual no marcador.
O jogo ficou acirrado. As equipes buscavam tomar a frente do placar e, em uma disputa na intermediária, Kennedy avançou com a bola e bateu cruzado. Novamente, o artilheiro da equipe do Gato Preto apareceu para se projetar na bola e fazer o segundo dele na noite. Os minutos seguintes foram de domínio dos donos da casa. No entanto, o alvinegro pecou na efetividade para matar o jogo. Em uma das jogadas, Pablo Félix finalizou de fora da área e colocou Pedro Morisco para trabalhar.
Com fé no peso da camisa, o Coritiba buscava a chance de reverter a tragédia. Foram duas chegadas sem sucesso, mas responsáveis por garantir sobrevida ao Coxa. Na insistência, veio o empate. Na cobrança de escanteio, Matheus Bianque empatou no bate e rebate para dar mais emoção à noite dos torcedores. A reta final foi movimentada, com o jogo pegado e os ânimos agitados. Com nove minutos de acréscimo, o juiz encerrou o tempo regulamentar com 2 x 2 no placar.
Pênaltis
O objetivo de Ceilândia e Coritiba na primeira fase da Copa do Brasil ficou reduzida aos chutes da marca da cal. Como obra do destino, o gol escolhido para as cobranças foi, justamente, ao lado da concentração da festa da torcida. E tudo começou perfeitamente quando Machado parou na defesa de Sucuri. Com o pé calibrado, o Gato Preto não desperdiçou nenhuma. Milla, Rafael Sayão e Lagoa converteram até o goleiro brilhar novamente. Edmar pegou a finalização de Lucas Ronier e abriu o espaço para Wallace acertar mais uma e garantir o time do Distrito Federal na segunda etapa do torneio nacional.
Ficha técnica
Copa do Brasil 2025 — Primeira Fase
Ceilândia 2 (4) x (2) 2 Coritiba
Local: Estádio Abadião, Ceilândia
Árbitro: Alex Gomes Safono
Público: 2.669 pessoas
Renda: R$ 29.815,00
Ceilândia
Sucuri; Euller (Wallace), Felipe Camargo, Paulinho e Badhuga; Pedro Bambu (Lagoa), Júlio César e Nolasco (Rafael Sayão); Kennedy (Milla), Felipe Clemente e Nando (Pablo Felix). Técnico: Adelson de Almeida
Gols: Felipe Clemente (2x)
Cartão amarelo: Rafael Sayão, Kennedy e Felipe Camargo
Coritiba
Pedro Morisco; Rafinha, Rodrigo Moledo, Thalisson Gabriel e João Almeida (Fracchia); Machado, Sebestián Gómez (Matheus Bianqui) e Vini Paulista (Josué); Lucas Ronier, Dellatorre (Gustavo Coutinho) e Everaldo (Wesley Pomba). Técnico: Mozart Santos
Gol: Lucas Roiner e Matheus Bianqui
Cartão amarelo: Não houve
*Estagiária sob a supervisão de Danilo Queiroz
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