
O chute de Sandro Tonali aos nove minutos do segundo tempo do confronto tenso entre Itália e Irlanda do Norte em Bergamo pareceu carregar toda a raiva do país tetracampeão mundial pela ausência em duas edições consecutivas da Copa, em 2018 e 2022. Ao receber a bola na entrada da área, o meia de 25 anos colocou todo o sentimento na ponta da chuteira ao bater rasteiro e não dar chances ao goleiro Pierce Charles. O gol aliviou o fardo italiano, abriu o caminho para o triunfo por 2 x 0 nesta quinta-feira (26/3) e evitou o terceiro vexame seguido e classificou o país à final da repescagem contra Bósnia Herzegovina, fora de casa, na terça (31/3), às 15h45.
Há outro simbolismo no gol de Tonali. O jogador do Newcastle, da badalada Premier League, quase ficou de fora desta Data Fifa. Motivo: lesionou-se no duelo de ida da Liga dos Campeões contra o Barcelona em 18 de março, foi diagnosticado com edema na coxa e ligou o alerta na seleção italiana. Porém, recuperou-se a tempo de ser chamado pelo técnico Gennaro Gattuso e contribuir com um gol e uma assistência para Moise Kean, no fim da partida.
Em uma Itália com poucos valores de expressão individual no ataque, o meio se destaca. Tonali é uma das reservas de talento do país que demorou a iniciar a transição de geração entre a vitoriosa em 2006 e as posteriores. Curiosamente, o jogador que definiu o confronto contra a Irlanda do Norte em Bérgamo veste a mesma camisa 8 que consagrou Gattuso no tetra de 20 anos atrás na Alemanha. Foi uma noite decisiva de Tonali com a bênção do mentor.
Tonali resolveu depois de a Itália desperdiçar chance clara com o centroavante Mateo Retegui. Bem posicionado pouco depois do meio de campo, o jogador do Al-Qadsiah, da Arábia Saudita, interceptou recuo errado da Irlanda do Norte e saiu cara a cara com o gol, porém o único toque dado por ele na bola matou a jogada. Parceiro de Retegui na frente, Moise Kean também teve oportunidade clara ao arrematar cruzado pela direita e ver Pierce Charles defender.
Era uma noite extremamente tensa em Bérgamo. Embora a Itália jamais tenha perdido na New Balance Arena — dois empates e duas vitórias até o apito inicial —, o trauma das ausências nas últimas duas Copas e a possibilidade do terceiro vexame consecutivo, inédito entre campeãs mundiais, atrapalhou no primeiro tempo. Também havia a lembrança negativa da eliminação diante da mesma Irlanda do Norte em 1957.
No primeiro tempo, o time de Gennaro Gattuso, escalado no esquema 3-5-2, teve amplo domínio, com 71% de posse de bola e 11 chutes. Porém, o nervosismo impossibilitou o capricho nas finalizações. Cenário totalmente diferente do segundo tempo. Na etapa final, havia maior urgência para definir as jogadas, o que atrapalhou Retegui e Kean, porém Tonali destravou a partida ao abrir o placar. Kean, inclusive, foi agraciado com nova chance aos 34 minutos depois de passe de Tonali, sob pressão. Mesmo cercado por dois, o atacante destro da Fiorentina teve frieza pela direita para dominar, puxar para a perna canhota e colocar no canto direito de Pierce Charle: 2 x 0.

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