O Campeonato Candango de 2026 abre as portas, neste fim de semana, para uma semifinal digna de animação de cinema. No roteiro da elite do futebol do Distrito Federal, um leão, um cachorro salsicha, um gato preto e um periquito seguem vivos na disputa pelo título de campeão local. Mas, diferente dos enredos cinematográficos, apenas dois deles terão um final feliz. Sobradinho e Samambaia iniciam a batalha neste sábado (7/3), às 16h, no Estádio Defelê, com transmissão da Record Brasília. No domingo (8/3), no mesmo horário, Ceilândia e Gama duelam no Estádio Abadião, com exibição da FFDFTV.
No universo simbólico do futebol candango, cada semifinalista carrega um mascote com história própria. As figuras nasceram nas arquibancadas e cresceram junto com a identidade das regiões administrativas representadas pelos clubes. Os símbolos não são apenas personagens folclóricos. Eles refletem a relação entre torcida e equipe. Nos gramados do Defelê e do Abadião, porém, a fantasia dá lugar à realidade: os quatro clubes lutam por vaga na final e, também, por importantes recompensas esportivas para a temporada de 2027.
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O primeiro capítulo do roteiro coloca frente a frente o rugido do Leão da Serra e os latidos do Cachorro Salsicha. Na fase inicial do Candangão, o Samambaia terminou na vice-liderança, com 20 pontos, três a mais em relação ao terceiro colocado Sobradinho. A diferença se explica justamente pelo encontro entre eles na etapa classificatória, quando o "doguinho" venceu por expressivos 3 x 0. A distância também aparece nas histórias por trás dos mascotes.
Refundado em 1975, o Sobradinho adotou o Leão da Serra logo nos primeiros anos da nova fase do clube. A mudança ocorreu quando a antiga Campineira passou a utilizar o nome da região administrativa. Diversas versões do escudo alvinegro exibem o animal em destaque. Registros históricos apontam o jornalista Aírton Maia Faria como responsável pelo primeiro desenho. A figura representa força, soberania e espírito combativo. O relevo serrano da cidade é outra característica abordada na simbologia do mascote.
O Samambaia vive uma transformação mais recente. Em 2022, o clube deixou para trás a antiga Cobra Cipó e adotou o Cachorro Salsicha como mascote oficial. A mudança simbolizava uma nova era após o retorno à primeira divisão do Candangão. A diretoria apostou no carisma do animal para aproximar o time da comunidade. Quase quatro anos depois, chegam frutos esportivos. A campanha atual colocou o time pela primeira vez em uma semifinal, no formato moderno da competição. A lembrança mais próxima ocorreu em 1994, quando o clube terminou na quarta colocação, mas em outro modelo de disputa.
Nos bastidores, os mascotes fazem parte do cotidiano dos clubes. No Sobradinho, um mascote gigante costuma animar as arquibancadas do Defelê em dias de jogo. Já no Samambaia, a ligação aparece no ambiente do Serejão. Alguns cães vivem nas dependências do estádio, sob a tutela da equipe de segurança, e acabaram incorporados ao imaginário da torcida. Em 2022, após o título da segunda divisão, o clube chegou a posar com o troféu ao lado de cachorros salsicha, em imagem viral nas redes sociais.
Gato x Periquito
O enredo da segunda semifinal do Candangão reúne duas das camisas mais tradicionais do futebol local. Ceilândia e Gama se enfrentam, no domingo (8/3), no Abadião, em um duelo carregado de história. O alvinegro chega embalado pela classificação conquistada na última rodada, com a quarta melhor campanha e 16 pontos. Já o alviverde avançou invicto na liderança da primeira fase, com 23 pontos. Além da rivalidade esportiva, o confronto também reúne dois dos mascotes mais curiosos do futebol local.
No Ceilândia, o Gato Preto nasceu dentro das transmissões esportivas do rádio do Distrito Federal. O jornalista Marcelo Ramos, conhecido como Narrador do Povão, costumava criar mascotes para clubes durante coberturas da Rádio Capital. O apelido pegou imediatamente entre torcedores e dirigentes. Com o tempo, virou símbolo oficial do clube. A imagem conversa diretamente com as cores do uniforme. O número 13, presente na cultura alvinegra, reforça ainda mais a ligação simbólica com o felino. O centro de treinamento da equipe recebeu até o nome de Cidade do Gato.
O Gama construiu uma relação ainda mais profunda com o mascote. O Periquito nasceu da associação natural com o uniforme verde do clube. Outra versão aponta provocações de torcedores rivais, que chamavam os gamenses de "periquitos" por causa do barulho das aves em bandos. O apelido acabou adotado com orgulho pela torcida. Com o sucesso esportivo, o símbolo ultrapassou o futebol. Na entrada da cidade, um monumento de nove metros de altura homenageia o mascote. A obra do artista Ariomar da Luz Nogueira se tornou um dos principais cartões-postais da região administrativa. O próprio centro de treinamento do clube leva o nome de Ninho do Periquito.
Dentro de campo, a disputa promete equilíbrio absoluto. O regulamento não prevê vantagem para nenhuma equipe. Gama e Samambaia, donos das melhores campanhas da primeira fase, conquistaram apenas o direito de decidir a vaga em casa. Caso ocorra empate após os 180 minutos de bola rolando, o finalista será definido nas penalidades máximas. A decisão ocorrerá em jogo único, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em 21 de março. No roteiro da semifinal, quatro mascotes aguardam o próximo capítulo. Um leão, um cachorro salsicha, um gato preto e um periquito seguem na disputa. No gramado, porém, apenas dois sobreviverão até o último ato da história.
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