
"Me desculpa, mas não tem técnica nenhuma." A crítica é de Robson Conceição ao avanço de lutas que tratam o boxe como espetáculo, como em combates com influenciadores digitais e artistas. Neste sábado (4/4), em Brasília, o primeiro campeão olímpico do Brasil sobe ao ringue como principal atração do Boxing Pro Combat para fazer o oposto: entregar espetáculo em alto nível competitivo em um momento decisivo na carreira.
Aos 37 anos, o medalhista de ouro na Olimpíada do Rio-2016 e dono do cinturão super-pena do Conselho Mundial de Boxe (WBC, na sigla em inglês) em 2024 encara a vinda ao Distrito Federal como movimento importante para voltar ao topo da Nobre Arte. No evento organizado no Shopping Conjunto Nacional, o pugilista natural de Salvador enfrentará, no nono combate da noite, o venezuelano Helber Rojas na categoria peso leve (61,2kg) em 10 rounds.
Lutar no Distrito Federal é especial para o ícone dos ringues. Em Brasília, competiu e venceu em outras oportunidades. Ele destaca a recepção do público e a conexão com os fãs como fatores que elevam a experiência dentro do ringue. A última passagem pela capital foi no ano passado, na primeira edição do Boxing Pro Combat. Naquela ocasião, enfrentou outro venezuelano, Yonnaiquer Rondon Ávila, e venceu por nocaute no fim do quinto round. Apesar da vitória, encontrou dificuldades diante de um adversário focado apenas na defesa.
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"Espero que ele (Rojas, adversário de amanhã) não seja tão fujão igual ao outro, que me dificultou bastante, porque não queria um embate. Ele se movimentou, fugiu o tempo inteiro e correu do combate. Quero, realmente, um duelo, que é o meu ponto forte. Gosto de lutar contra adversários que busquem o combate", destaca em entrevista ao Correio.
A busca de Conceição por combate mais franco passa pela preparação. Na reta final antes da luta, o foco deixa de ser apenas técnico e passa a exigir controle absoluto do corpo, com corte de peso e desgaste físico intenso. É uma etapa que, embora pouco visível para o público, costuma definir o ritmo, a estratégia dentro do ringue e, segundo ele, é duríssima para os pugilistas.
"É a pior semana para um lutador. É feita para se desgastar, desidratar e perder peso. Mas é a vida que escolhi e abdico de muitas coisas por isso. Tenho certeza de que, no sábado, estarei pronto para levar mais uma grande vitória ao boxe brasileiro", garante.
A trajetória de Conceição tanto no boxe olímpico quanto no olímpico o moldou às exigências físicas e o preparou para o topo nos dois modelos de luta. A modalidade em Olimpíada é acelerada, com lutas mais curtas e focadas em pontuação, enquanto o outro lado da arte dos ringues exige resistência, estratégia e paciência ao longo de até 12 rounds.
Depois de viver os dois mundos do boxe e lutar por um Brasil sem tanta visibilidade e apoio à modalidade, Conceição enxerga evolução do Brasil e o aumento do respeito do país no cenário internacional. Para ele, fruto de uma geração mais preparada e competitiva.
"É um patamar totalmente diferente. Antigamente, nos sorteios, todo mundo queria lutar contra o Brasil. Hoje, ficam com o pé atrás, não querem mais lutar contra nós, porque sabem do nosso nível e da evolução", analisa.
Conceição completará 38 anos em 25 de outubro, nutre o sonho de voltar a brigar por cinturão e pelo topo do mundo, mas entende a necessidade de pensar no pós-carreira. Acredito que não vou até os 40, porém estou pensando à frente, criando projetos sociais, procurando outros pés de meia para continuar no esporte. Tenho uma academia em Lauro de Freitas (BA), a Gold Box Fitness, e penso em expandir para outros lugares. Essa academia é um meio de eu criar um sustento, porém eu tenho meu sonho de criar um projeto social na minha comunidade, onde nasci e fui criado", compartilha.
O momento de Conceição no ringue se conecta com uma fase de maior exposição do boxe. Existe uma necessidade do mercado para transformar as lutas em entretenimento. Porém, para o primeiro campeão olímpico e mundial do Brasil, esse modelo de negócio precisa ser acompanhado de nível técnico. Para ele, isso nem sempre é respeitado.
"Há influências com as quais concordo, porque fortalecem a modalidade e a levam a outras pessoas. Existem outros que não estão para fortalecer, disputam porque têm milhões de seguidores e querem fazer aquelas lutas sem técnica nenhuma. Me desculpa, mas não tem técnica nenhuma, e também não procuram evoluir. Se tem um evento apenas com influenciadores, não concordo, pois poderia dar espaço para um atleta de verdade", defende.
Programe-se
Boxing Pro Combat - 2ª edição
Local: Shopping Conjunto Nacional
Quando: amanhã, a partir das 19h30
Transmissão: Canal Combate
Ingressos: gratuitos via aplicativo do Shopping Conjunto Nacional e mediante doação de 1kg de alimento não perecível
As lutas
Card Principal
Luta 9 — Peso Leve (61,2kg)
Robson Conceição x Helber Rojas (Venezuela)
Luta 8 — Peso Pena (57,1kg) – Disputa de Título Brasileiro CNB
Lila Furtado x Lorrayni Kristini
Luta 7 — Peso Meio Médio (66,6kg) – Special Fight
Yuri Falcão x Jamerson Caue
Luta 6 — Peso Super Pena (58,9kg)
Luiz 'Bolinha' Oliveira x Luis Gustavo Zeballos (Bolívia)
Card Preliminar
Luta 5 — Peso Super Mosca (52,1kg)
Andres Gregorio 'Maximus' x Luis Golindano (Venezuela)
Luta 4 — Peso Pena (57,1kg)
Jackson Buguinha x Marcos ‘Torpedo’ Viana
Luta 3 — Peso Super Meio Médio (69,8kg)
André Martins (Brasília) x Gustavo Magalhães
Luta 2 — Peso Super Leve (63,5kg)
Weberth Silva (Brasília) x Breno Ze Bim
Luta 1 — Peso Cruzador (90,7kg)
Vitim Falcão x Alan Sombra (Ceilândia)

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