
Aos 82 anos, José Roberto Lux, o Zé Boquinha, dedicou mais de 40 anos da vida ao basquete. De jogador a técnico e, por fim, comentarista, Zé pôde treinar Oscar Schmidt na passagem dele pelo Corinthians, em 1996 e 1997. Nesta terça-feira (17/4), o ex-atleta reviveu momentos do basquete com a lenda mundial durante o período em que trabalharam juntos e lamentou o falecimento do ex-ala.
Santista até os 38 anos, Oscar chegou ao Timão em 1996 e, naquele ano, conquistou o título do Campeonato Brasileiro Alvinegro de Itaquera. O feito o colocou na Calçada da Fama e no Memorial Corinthians, o único atleta fora do futebol a ser homenageado no local. O ex-ala afirmou ter “virado a casaca” após a conquista e passou a torcer para o Coringão. Apesar de os holofotes estarem voltados para ele, na época, um personagem importante fez parte da trajetória de Oscar no clube paulista: o técnico Zé Boquinha.
“É mais um grande ídolo, não só do Brasil, um ídolo mundial que se vai”, lamentou o ex-técnico. Em vídeo exclusivo para o Correio, o dono da prancheta relembrou a trajetória de Oscar no basquete brasileiro e o “boom” no cenário mundial. “O mundo todo venera o Oscar. Eu lembro que ia para os Estados Unidos e o pessoal da NBA vinha perguntar se ele ainda estava jogando, como é que ele estava. Ele fez um nome especial, foi para a NBA, foi draftado, mas não aceitou”, contou.
Os números históricos na carreira são frutos de muita dedicação e resiliência. A obsessão o levou à perfeição. Por dia, o ex-ala treinava mil arremessos depois de um treino, para se aperfeiçoar no fundamento. “Um jogador de recursos extraordinários nos arremessos, um jogador que se fez um grande jogador, que quando começou tinha certa dificuldade, mas foi dominando todos os princípios do jogo e principalmente o arremesso. Por fim, foi o maior chutador de bola de três pontos da história”, exaltou.
Em 1987, um feito histórico para o esporte brasileiro. Nos Jogos Pan-Americano de Indianápolis, a Seleção Brasileira de Basquete conquistou o ouro inédito ao vencer os Estados Unidos por 120 x 115 na final, o primeiro revés norte-americano em casa. Naquele jogo, Mão Santa marcou 46 pontos, cestinha e protagonista da grande decisão. “Foi a única vez que um time americano perdeu dentro dos seus territórios no quesito de basquete. Os caras eram imbatíveis e o Oscar fez isso aí com eles”, enalteceu.
A relação entre o ex-técnico e o ex-ala no vestiário era positiva. Nos tempos de Corinthians, Zé Boquinha o definiu como um jogador “interessante de se dirigir”. “Não tinha como prendê-lo a qualquer esquema, tinha que dar liberdade para ele jogar”, explicou. Entre o grupo, Zé repassava instruções a todos os demais jogadores sobre o esquema tático dentro de casa, exceto para Oscar. Para Schmidt, finalizava as instruções mandando arremessar toda vez que pegasse na bola.
“Eu falava para ele que ele estava livre para arremessar e todo mundo ria, porque era o forte dele. Ele dizia que ia arremessar mesmo. E eu dizia que estava liberado, não tem problema nenhum, pode mandar porque a gente segura o rojão aqui. Acho que o Oscar foi um exemplo disso”, concluiu.
*Estagiária sob a supervisão de Silvio Queiroz
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