Campinas (SP) — A tensão entre esporte e política tributária ganhou voz de peso no encerramento do CBC & Clubes Expo 2026, realizado ao longo da semana em Campinas. Neste sábado (25/4), o campeão olímpico Giba utilizou o espaço do evento para reforçar a mobilização do setor contra os impactos da Reforma Tributária. O tema dominou debates ao longo da programação organizada pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC).
A preocupação gira em torno das novas regras previstas a partir de 2027. A nova formatação indica aumento significativo da carga tributária sobre clubes associativos. Enquanto essas entidades podem chegar a uma taxação de 15,5% sobre a receita bruta, modelos empresariais como as SAFs operariam com cerca de 6%. O cenário acendeu um alerta entre dirigentes e atletas sobre desequilíbrio estrutural no esporte brasileiro.
Durante contato com a imprensa, após a palestra “Gestão ganha jogo”, Giba foi direto ao abordar o tema. “Acho que não tem muito o que ser falado. Tem que ser vetado isso daí, porque você está acabando com o esporte. Você está acabando com algo que é saúde, dedicação, educação”, afirmou, ao defender a necessidade de revisão da medida.
A fala do ex-ponteiro, campeão olímpico em Atenas-2004, vai além do impacto financeiro e alcança o papel social do esporte. Para ele, a prática esportiva atua diretamente na formação de crianças e jovens, funcionando como ferramenta de desenvolvimento e inclusão. “Já foi comprovado que quem faz esporte melhora não sei quantos por cento do cérebro nas outras matérias. Então, você vai estar acabando com algo que vai colocar essas crianças na rua”, alertou.
O argumento conecta o debate tributário a uma dimensão mais ampla, envolvendo segurança pública e políticas sociais. “O que vai ser diferente pra segurança com isso? Nada. Vai ter que ter mais ainda. E aí, vai começar a tirar da educação, vai começar a tirar da saúde. O esporte engloba tudo isso”, completou, ao criticar possíveis efeitos em cadeia da medida.
A mobilização no evento envolveu diversas personalidades. Giba, inclusive, utilizava um adesivo em alusão ao “luto pelo esporte”, movimento simbólico adotado por representantes do setor em reação ao texto da reforma. A pauta também foi reforçada por lideranças como Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e Luiz Eduardo Baptista, mandatário do Flamengo, outras propagantes de manifestações contundentes contra o veto nº 8/2026.
Nos bastidores, entidades esportivas articulam ações em Brasília em busca de imunidade tributária ou ajustes no texto, com o objetivo de preservar o modelo de formação baseado nos clubes. Estimativas apontam prejuízos milionários ao sistema esportivo. “Isso aí tem que ser vetado. É por isso que eu estou nessa luta junto com todos os meus amigos e os presidentes”, garantiu Giba.
*O repórter viajou a convite do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC)
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