Carlo Ancelotti quebrou escrita de 60 anos na convocação da Seleção para a Copa: o Brasil terá dois jogadores abaixo dos 20 anos no elenco pela primeira vez desde a edição de 1966. Naquele ano, Vicente Feola levou à Inglaterra Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, 19, e Jonas Eduardo América, o Edu, 16. Os escolhidos da vez são o brasiliense Endrick, emprestado pelo Real Madrid ao Lyon, e o carioca Rayan, do Bournemouth.
Ambos são duas das maiores revelações recentes do futebol brasileiro. Híbridos, são camisas 9 de mobilidade. Têm instinto de centroavantes, mas se adaptam facilmente à ponta direita, o cantinho predileto deles fora da área. As características deles agradam a 11 em cada 10 técnicos no futebol moderno, no qual os homens de referência perdem cada vez mais espaço.
O protagonismo precoce dos dois assusta. Endrick guiou o Palmeiras ao título do Campeonato Brasileiro em 2023 com um recital de bola contra o Botafogo, no Estádio Nilton Santos, no jogo da virada por 4 x 3. Autor de dois golaços, o então Menino do Parque plantou a semente no coração dos brasileiros: "Sou jogador que aparece na hora difícil", disse o autor de 11 gols na campanha da conquista do 12º título brasileiro.
Um ano antes, ele havia participado da taça de 2022 no papel de coadjuvante no primeiro ano como profissional, contribuindo com três bolas na rede. Além dos dois títulos no Brasileirão, ganhou a Supercopa do Brasil em 2023 e o Campeonato Paulista em 2023 e em 2024.
Paralelamente, foi lançado na Seleção pelo técnico Fernando Diniz na derrota por 2 x 1 para a Colômbia, em Barranquilla. Um ano depois, ele desequilibrava amistosos de ponta na vitória por 1 x 0 contra a Inglaterra, em Wembley; e no empate por 3 x 3 com a Espanha, em Madri. Gols de um jogador predestinado a resolver partidas importantes com uma camisa tão pesada.
A ascensão fez com que Endrick quebrasse a banca no mercado nacional em uma venda de 47,5 milhões de euros para o Real Madrid. Sem espaço no clube merengue sob o comando de Xabi Alonso, o reserva de Mbappé e Gonzalo Garcia apostou alto no empréstimo ao Lyon em troca de minutos de jogo e de protagonismo. Acumula seis gols e sete assistências pelo time francês.
Rayan quase levou o Vasco ao bi na Copa do Brasil do ano passado. Iluminado, balançou as redes 22 vezes em 67 jogos no ano sob o comando de Fernando Diniz. Coadjuvante de Philippe Coutinho e de Pablo Vergetti, encerrou o ano como dono do time na função de centroavante. O Pirata encerrou a temporada insatisfeito no banco de reservas.
A joia de São Januário não colecionou troféus no elenco profissional, mas fez o suficiente para trocar o Vasco pelo Bournemouth da elite inglesa por 28,5 milhões de euros. A temporada de estreia na Premier League supera as expectativas. São cinco gols em 14 jogos e duas assistências. Balançou a rede em três das últimas quatro exibições contra Leeds, Crystal Palace e Fulham.
Juntos, Rayan e Endrick movimentaram 76 milhões de euros nas vendas para a Europa. Na Copa, são candidatos a turbinar o Brasil no segundo tempo em jogos disputados sob calor extremo no verão dos Estados Unidos. "Com 19 anos, jogar uma Copa do Mundo não é fácil, é para poucos, então estou muito feliz. É uma honra estar chegando a essa Copa do Mundo com ele, vai ser um momento muito feliz", disse o atacante em entrevista ao Seleção SporTV.
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Caçula da Seleção por 15 dias, Rayan nasceu em 3 de agosto de 2006, um mês depois da queda do Brasil nas quartas de final da Copa da Alemanha contra a França. Endrick é de 21 de julho de 2006. Tinha um dia de vida quando o Brasil goleou o Japão por 4 x 1 na fase de grupos.
"Quando chamamos um jogador novo, não é para observar como eles se comportam no campo, nós já sabemos disso. Temos que olhar como eles se incorporam ao nosso ambiente, conhecer o caráter. Sabemos perfeitamente como estão jogando, avaliamos cada jogador que está e que não está nessa lista. A nível técnico, conhecemos todos. Quero conhecer a nível de caráter. São jogadores que merecem estar porque estão jogando bem", justifica o treinador.
"O Rayan é um jogador potente, tem qualidade, boa atitude. Apresentou-se muito bem na Premier League e é jovem. Certamente, tem futuro na Seleção. Merece estar aqui pelo que vem fazendo", afirmou. "Quando falamos de Endrick para o futuro, era referente a essa Copa do Mundo", explicou o treinador sobre a escolha pelos caçulas da Seleção Brasileira em 2026.
