Copa do Mundo

A Seleção Brasileira aposta em Matheus Cunha para a tradicional camisa 9

Calouro em Copas, Matheus Cunha terá a responsabilidade de vestir a peça que o consagrou nos Jogos Olímpicos-2020

Jogador foi confirmado no Mundial após viver tempestades antes de vislumbrar o nascer do sol -  (crédito:  Rafael Ribeiro/CBF)
Jogador foi confirmado no Mundial após viver tempestades antes de vislumbrar o nascer do sol - (crédito: Rafael Ribeiro/CBF)

A Seleção Brasileira aposta, mais uma vez, em um camisa 9 diferente. O número terá um novo titular no Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá. A peça que já foi vestida por Coutinho, Tostão e Zinho, e ficou ainda mais famosa com Ronaldo Fenômeno — até hoje considerado como um dos melhores donos da amarelinha — agora está nas costas de um paraibano. Matheus Cunha foi eleito pelo técnico Carlo Ancelotti a herdar o peso gigante que essa camisa carrega para o Brasil, vencendo a concorrência diante de outros nomes importantes que estavam no ciclo pré-Copa, como Richarlison (Tottenham), Igor Jesus (Nottingham Forest), Gabriel Jesus (Arsenal), Vitor Roque (Palmeiras), Pedro (Flamengo) e João Pedro (Chelsea).

Mesmo vestindo a 9, Matheus Cunha faz um papel um tanto quanto peculiar. No esquema do treinador italiano, o atleta do Manchester United tem uma funcionalidade muito mais versátil e de mobilidade ao redor da grande área. A disputa para quem realmente irá exercer a função de centroavante está entre Endrick e Igor Thiago. Destaque nos amistosos pré-Copa, os brasilienses, em teoria, começarão na reserva, mas são peças importantes para momentos de necessidade.

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Matheus Cunha foi confirmado no Mundial após viver tempestades antes de vislumbrar o nascer do Sol. O meia atacante era um dos cotados para disputar a Copa de 2022, mas não foi chamado por Tite na ocasião. Triste pela não convocação, viu o desempenho e a confiança caírem. Ficou fora do ciclo de Dorival Júnior, mas trabalhou calado em busca de realizar o sonho. Recuperou o bom futebol e virou peça chave do Wolverhampton, da Inglaterra. Em 2025, recebeu convite do português Rúben Amorim para integrar o plantel do Manchester United. Por 74 milhões de euros, mudou de cidade na Inglaterra e chegou com posto de craque nos Red Devils, herdando a camisa 10. Desde que chegou, são 10 gols e quatro assistências em 33 jogos.

A viagem foi longa antes de pisar em Manchester. Natural de João Pessoa, na Paraíba, Matheus Cunha começou a dar os primeiros passos por meio do futsal. Destacou-se no salão pelo Esporte Clube Cabo Branco e recebeu olhares de times maiores. Com ajuda do treinador Barão Xavier, arrumou as malas e foi jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Coritiba, em 2016. Acabou levado para disputar um torneio na Suíça pelo clube paranaense, onde continuou sendo destaque e não demorou muito para a Europa abrir as portas para ele. Recebeu uma proposta do Sion, e mesmo com a desconfiança dos pais, Matheus se aventurou em solo suíço. Desde então, nunca mais saiu do Velho Continente. Rodou por Leipzig, Hertha Berlim, Atlético de Madrid e Wolverhampton até chegar ao Manchester United.

Pela Seleção Brasileira, Matheus Cunha sofreu oscilações. Teve a primeira convocação em setembro de 2020, mas demonstrou pouco no ciclo inicial. Ficou longe da Copa no Catar, manteve-se em pé diante das críticas e voltou a vestir a amarelinha com a chegada de Ancelotti. Em meio às tempestades, recebeu a chance de disputar as Olímpiadas-2020 (em 2021) com André Jardine. Brilhou. Gol na final diante da Espanha e ouro olímpico conquistado, justamente com a mesma camisa 9 que usará no Mundial.

Estagiário sob supervisão de Fernando Brito

 


Confiança na linha de frente

Nascido em Taguatinga, Endrick não teve vida fácil antes de ascender mundialmente, mas demonstrava talento diferenciado. No Brasília Futebol Academia, recebeu as primeiras oportunidades. Brilhou em solo candango até receber a chance de vestir a camisa do Palmeiras ainda nas categorias de base.

Subiu para o profissional e seguiu empolgando. Destaque e campeão do Brasileirão em 2023, não havia dúvidas que olhos estrangeiros estariam vigiando o garoto. A proposta para o Velho Continente chegou ainda aos 16 anos. Por 72 milhões de euros, o Real Madrid contratou o jogador. Quando completou a maioridade, pisou em solo espanhol com direito a recepção de gala.

A expectativa era grande, mas o início na Europa não foi dos melhores. Poucas oportunidades apareceram sob o comando do próprio Ancelotti e de Xabi Alonso, posteriormente. Chegou a ser apenas a terceira opção do ataque madrilenho. Mas, no final de 2025, chegou uma oferta tentadora vinda do futebol francês.

Endrick chegou ao Lyon por empréstimo e reencontrou o bom futebol. Foram 13 participações em gols em 18 jogos. Levou a equipe francesa de volta para a Liga dos Campeões e teve status de estrela. Pela Seleção, foi convocado pela primeira vez ainda por Fernando Diniz. Sofreu oscilações e deixou de ser chamado por algum tempo, mas quando esteve em campo mostrou talento, fazendo belos gols.

Das ruas para o maior palco 

São 22 gols na Premier League e status de maior artilheiro brasileiro em uma temporada do campeonato inglês. Esses foram os números de Igor Thiago com a camisa do modesto Brentford. Nascido no Gama e criado na Cidade Ocidental (GO), mais um brasiliense integra o plantel montado por Carlo Ancelotti. Mostrou talento desde cedo, mas teve de conviver com baques na infância antes de apostar no futebol. Perdeu o pai ainda jovem e teve de trabalhar como servente de pedreiro para ajudar nas contas de casa. Mas a vocação do garoto era outra. Conseguiu uma oportunidade no Clube Verê, do Paraná, antes de ser contratado pelo Cruzeiro.

Em Minas, não recebeu muitas chances e foi praticamente chutado do clube. As portas da Europa se abriram na Bulgária, onde Igor brilhou. Destaque do Ludogorets, foi contratado por 11 milhões de euros pelo Club Brugge, da Bélgica, e continuou se destacando. Em 2024, fez as malas para a Inglaterra. Conviveu com lesões, mas se adaptou e virou um dos grandes jogadores da história recente do Brentford.

Bateu recordes na terra da rainha e a chance com a amarelinha surgiu em 2026, nos amistosos pré-Copa. Contra a Croácia, Igor mostrou para os brasileiros que o atacante escondido no oeste de Londres merecia estar no Mundial. Marcou de pênalti e recebeu o chamado de Ancelotti para a disputa da Copa do Mundo.

Depois de 16 anos, o Distrito Federal volta a ter dois representantes no Mundial. Naquela ocasião, Kaká e Lúcio assumiram a responsabilidade e contribuíram para o pentacampeonato.

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postado em 11/06/2026 04:39
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