
Yan Diomandé joga pela Costa do Marfim e foi eleito o melhor jogador da partida contra o Equador na Copa do Mundo. Após a vitória, ele publicou uma carta na plataforma The Players’ Tribune dedicada à sua irmã, Roxane Diomandé, que faleceu aos 15 anos.
Diomandé saiu de uma vida humilde na Costa do Marfim para se tornar um dos principais jogadores de seu país e da Bundesliga, uma das ligas mais competitivas do mundo. "Lembra quando éramos 25 pessoas em uma casa? Lembra quando fui jogar (futebol) longe de casa? "Não sei se alguma vez te contei essa história, mas eu e as outras crianças íamos até a vila roubar batatas porque passávamos muita fome. Ainda é minha comida favorita, porque me lembra desses tempos", recorda.
Ele também revelou lembranças de quando sua irmã era a única que acreditava em seu potencial de ser um grande jogador:
"Lembra quando eu voltava para casa e você dizia para os meus amigos: “Por que você parou de treinar? O Yan não vai te comprar carros. Você tem que continuar trabalhando.”, "antes mesmo de eu ter chuteiras você já falava para todos: "meu irmão será o melhor jogador do mundo", completa.
Em 2025, quando tinha 18 anos, chegou o dia de sua estreia como jogador do Leganés contra o Real Madrid. Depois da partida, ficou sabendo da morte de sua irmã, que tinha 15 anos na época. "Foi tudo um sonho, até se tornar um pesadelo", lamenta o jogador.
De acordo com o relato de Diomandé, Roxane faleceu após colocarem uma substância tóxica em sua bebida. O episódio fez o jogador levantar dúvidas e cobranças quanto ao que aconteceu. “Nunca obtive nenhuma resposta. Não sei se quero saber porquê. Talvez tenha sido ciúme. Talvez seja apenas algo que acontece no nosso país. Talvez eu pudesse ter te protegido. Não sei.”
Segundo o marfinense, a morte de sua irmã afetou a forma como enxerga a vida. "Nessa época, eu tinha sentimentos. Hoje em dia, não sinto mais nada. É como se eu não fosse humano. Desde que você morreu, estou simplesmente vazio"
Apesar disso, ele também vê o falecimento de sua irmã como um incentivo para dar o seu melhor dentro de campo, para que ele conquiste tudo que os dois sonhavam. "Escrevi isto porque quero que saiba que vou garantir que você viva para sempre. Vou garantir que todos saibam seu nome. O mundo inteiro".
Jogar futebol é a maneira que Yan Diomandé encontrou de lidar com a morte de Roxane. "Hoje, o campo é o único lugar onde ainda me sinto em casa. É ali que encontro tranquilidade e consigo conversar com você. Só queria que você ainda estivesse aqui para poder te dizer: nós conseguimos. Tudo aquilo em que você acreditava se tornou realidade.", conclui.
*Estagiário sob a supervisão de Luiz Felipe.
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