Futebol

A semana decisiva de Neymar

Horas de fisioterapia por minutos de jogo: conheça Rafael Martini, o profissional particular do craque, determinante para a convocação responsável pela cura do astro para o Mundial

New Jersey — The Ridge, sábado, concentração do Brasil em Basking Ridge. Enquanto 25 jogadores da Seleção enfrentam o Egito em Cleveland, no estado de Ohio, no último ensaio antes da estreia contra Marrocos na Copa do Mundo, Neymar intensifica o tratamento para voltar a campo nesta semana. À espera do retorno dos companheiros, o camisa 10 tem a companhia do fisioterapeuta pessoal Rafael Martini, do médico Felipe Kalil e do preparador físico Cristiano Nunes na semana decisiva para a presença no torneio.

Amanhã, o craque será submetido a uma ressonância magnética. O italiano banca o jogador de 34 anos no elenco. O prazo final para mudanças é sexta-feira com apresentação de um laudo. “A situação do Neymar acho que é bastante clara. Está fazendo um ótimo trabalho individual. Ele vai fazer uma ressonância (magnética) e se tudo estiver bem, poderá treinar com o grupo na próxima semana”. O elenco folga hoje e retoma as atividades amanhã.

Dos três profissionais que não foram a Cleveland, Rafael Martini é o mais próximo de Neymar. São unha e carne. O fisioterapeuta é o primeiro abraçado pelo craque no anúncio da convocação. "Obrigado, tá? Por tudo!", disse Neymar a Martini no vídeo viralizado.

A parceria lembra a de Romário com Nilton Petrone em 1990. O Filé, como era chamado, não pertencia ao departamento médico da Seleção, mas era o responsável pelo tratamento do Baixinho na concentração de Sebastião Lazaroni na tentativa de acelerar a recuperação. O então médico Lídio Toledo não gostou da intromissão de um profissional de fora da CBF.

Rafael Martini tem trânsito livre na Seleção. Era assim com Tite. Ele conhece Neymar há mais de uma década. Ambos se conheceram no Santos. Em 2014, Neymar teve divergências com o departamento médico do Barcelona. O fisioterapeuta virou funcionário pessoal de Neymar. Trabalham juntos no clube catalão, no Paris Saint-Germain e no Santos.

Foi de Rafael Martini a missão de recuperar Neymar nas lesões mais graves na carreira, como a fratura sofrida na Copa de 2014 contra a Colômbia e a recuperação da ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho em 2023. Ele conhece o corpo marcado por 45 contusões e cinco cirurgias, sabe tratá-lo, mas tem o tempo como inimigo do tratamento da lesão de grau 2 na panturrilha da perna direita.

O fisioterapeuta da confiança de Neymar foi integrado à comissão técnica da Seleção nas Copas e em períodos de preparação desde a era de Tite. A permissão especial se deu justamente para entregar um acompanhamento individualizado a Neymar.

Uma das raras entrevistas públicas de Martini ocorreu na Espanha. À época, ele explicou que o trabalho com Neymar tem três pilares: prevenção de lesões, promoção do bem-estar e melhora do desempenho esportivo. A filosofia sempre foi complementar ao trabalho dos clubes com um acompanhamento altamente personalizado.

Intertítulo: Operação Catar

Após a grave lesão no tornozelo direito de Neymar na estreia contra a Sérvia na Copa do Catar, Martini liderou um regime intensivo de recuperação de 24 horas consecutivas. A estrutura de fisioterapia foi montada no próprio quarto/sala do atleta na concentração em Doha. Neymar chegava a dormir enquanto os aparelhos operavam para acelerar o processo e permitir o retorno nas oitavas de final. Pronto para o mata-mata, fez um gol contra a Coreia do Sul nas oitavas de final e outro diante da Croácia nas quartas.

Rafael Martini é parceiro do médico da Seleção, Rodrigo Lasmar, e assume o trabalho de fisioterapia quando o médico é o responsável pela intervenção.

Enquanto milhões acompanham a novela da recuperação de Neymar, Rafael Martini trabalha no silêncio. É dele a tarefa de transformar horas de fisioterapia em minutos de jogo. A poucos dias da estreia, o fisioterapeuta tornou-se peça-chave na tentativa de entregar a Carlo Ancelotti um Neymar apto a disputar a Copa do Mundo.

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