Esportes Olímpicos

III Fórum do Esporte Seguro debate perspectivas para proteger o esporte

Com treinadores, ex-atletas, dirigentes e especialistas, o evento pautou a luta em prol da cultura de respeito e o espaço acolhedor para todos

Hotel Hilton Copacabana, no Rio de Janeiro, recebeu personalidades do esporte para debater a segurança no ambiente competitivo -  (crédito: Grazie Batista/COB)
Hotel Hilton Copacabana, no Rio de Janeiro, recebeu personalidades do esporte para debater a segurança no ambiente competitivo - (crédito: Grazie Batista/COB)

Rio de Janeiro — Dez anos após acolher os Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro voltou a centralizar o debate esportivo nacional com o III Fórum Esporte Seguro. Promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), o evento reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir a implementação de políticas rígidas de compliance, canais de denúncia contra abusos e o suporte à saúde mental nas confederações brasileiras. Na metade do ciclo rumo à Los Angeles-2028, o encontro desta quinta-feira (6/8), em Copacabana, serviu como base estratégica para garantir um ambiente esportivo de alta performance seguro.

Com o tema Esporte Seguro é Para Todos, a programação abordou o assunto sobre diferentes perspectivas com atletas, treinadores, gestores, especialistas e profissionais da saúde, com o principal objetivo de reforçar a responsabilidade de todos na promoção da segurança. O fórum é um pilar fundamental para estabelecer bases de uma cultura de proteção, cuidado e integridade com as delegações brasileiras.

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O início da programação foi conduzido pelo presidente do COB, Marco Antônio La Porta, e pela mestre de cerimônias Ketleyn Quadros, judoca brasiliense medalhista olímpica. La Porta reforçou a ascensão do evento a cada ano como fruto do bom trabalho coletivo e do quanto se empenham para construir uma base sólida e de impacto no desenvolvimento de todos os atletas do Time Brasil.

“O que é uma nação esportiva? Uma nação esportiva é uma população que pratica esporte, é uma população que consome esporte, que se interessa pelo esporte. Então, quando a gente fala de população, falamos de todos. Quando chamamos as pessoas para praticar esporte, para estar no ambiente esportivo, precisamos entender que aquele ambiente seja seguro. Onde a pessoa se sinta, desde a criança que está iniciando, até o pessoal mais idoso que também quer estar com suas atividades físicas, tem que ter um ambiente seguro. E a responsabilidade de cada um de nós, inclusive dos atletas”, refletiu.

A ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão foi a responsável por abrir o primeiro tema do dia. Uma das principais vozes da defesa dos direitos dos atletas no Brasil, a pernambucana fez parte do painel O Atleta no Centro do Esporte. Para Joanna, uma área dedicada ao tema manifesta de forma clara o compromisso do COB em edificar ambientes cada vez mais respeitosos, seguros e acolhedores no âmbito esportivo. Em 2025, a ex-atleta recebeu o prêmio Melânia Luz no II Fórum da Mulher no Esporte, no Rio de Janeiro, concedido pela entidade.

Uma mesa redonda com nomes de peso participaram do debate: a mediadora do painel foi Mariany Nonaka, coordenadora da área Esporte Seguro do COB. Ao lado dela, personagens brasileiras importantes, como a ex-ginasta Daiane dos Santos, a presidente da comissão de atletas do COB, Fernanda Nunes, e Joanna Maranhão discutiram a importância das entidades se prepararem para criar um ambiente de acolhimento. “Eu que me achava a sabe tudo fiquei em choque ao ver o meu treinador me perguntar em qual posição eu ficava mais confortável para nadar”, exemplificou a ex-nadadora. “Para sermos exemplo, não devemos ser apenas demagogos. Precisamos mostrar na prática como mudar”, completou Daiane.

O tema Esporte Seguro nas Organizações: Cultura, Política e Responsabilidade trouxe para o evento uma visão voltada para a vivência e boas práticas dentro das entidades e nas governanças. Para Eduarda Amorim, atleta olímpica e presidente do conselho de ética do COB, o Brasil está na frente de muitos países mundo afora quando se trata do cuidado de proteger os atletas. “Eu acho que o Brasil está bastante avançado nesse sentido. Dentro do handebol, ainda tem organizações que não tem essa política do esporte seguro, não tem todos os protocolos. Pelo meu conhecimento, algumas não tem nem canal de denúncia. Então, eu acho que o handebol ainda está um pouquinho atrás, mas no Brasil isso já está avançado. As Confederações precisam ter um canal de denúncia. Nesse sentido, eu acho que nós estamos sendo exemplo”, opinou.

Preocupada em proporcionar um ambiente harmônico, a mesa de conversa abordou a mentalidade de alto rendimento e o desafio dos treinadores na transição das gerações. Neste painel, a importância foi frisar a necessidade de ter um direcionamento para o treinador com o auxílio da psicologia. Técnico da Seleção Brasileira de boxe, Mateus Alves serviu de exemplo para os colegas de profissão entenderem que a classe também precisa de ajuda. Junto a ele, Ney Wilson e a psicóloga esportiva Aline Wolf contribuíram para a discussão.

Mariana Mello e Sebástian Pereira encerraram o evento agradecendo o comprometimento coletivo na luta por dias melhores no esporte brasileiro. Batendo sempre na tecla de que todos são contribuintes para transformar cada vez mais um ambiente seguro e acolhedor para todos. “O COB e as instituições esportivas brasileiras estão comprometidos com este novo momento do esporte no país. O III Fórum Esporte Seguro representa o nosso compromisso coletivo de construir um ambiente onde proteção, respeito e cuidado sejam pilares inegociáveis para atletas de todas as gerações”, declarou Sebástian.

*A repórter viajou a convite do Comitê Olímpico do Brasil (COB)

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postado em 06/08/2026 17:46
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