Candangão Feminino

Minas x Cresspom: conheça as regentes da final com transmissão da TV Brasília

Responsáveis por gerir a progressão das jogadas ofensivas de Minas e Cresspom, Manu e Sâmia entram em campo na final do Candangão para corar boa temporada com título local

Manu Balbinot, sofreu a dor do rebaixamento em 2021, mas agora celebra o acesso à elite nacional com o Minas Brasília  -  (crédito: Patricy Albuquerque )
Manu Balbinot, sofreu a dor do rebaixamento em 2021, mas agora celebra o acesso à elite nacional com o Minas Brasília - (crédito: Patricy Albuquerque )

Em um esquema tático, o meio-campista funciona como o cérebro e o motor do time. Neste setor, Minas Brasília e Cresspom estão muito bem servidos. No Campeonato Candango Feminino, Manu Balbinot e Sâmia Priscila são as maestras responsáveis por dar ritmo ao jogo, conectar a defesa ao ataque e serem as mentes pensantes dentro das quatro linhas. No domingo, às 10h30, no Bezerrão, com transmissão da TV Brasília, as armadoras entram em campo com o mesmo objetivo: conquistar o título local.

Emanuela Balbinot, a Manu, é um daqueles exemplos nos quais o futebol está inserido no DNA. Natural de Concórdia, em Santa Catarina, a jogadora de 24 anos nasceu rodeada pela modalidade. Desde cedo viu a família se envolver com o esporte. O avô Tranquilo jogava bola e a mãe Roselaine também seguiu os mesmos passos. Antes de migrar para os gramados, a catarinense mostrou talento nas quadras de futsal. Ali, estava o divisor de águas: entrou para a escolinha e começou a competir pela cidade, chamando a atenção de clubes rivais.

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Ainda adolescente, Manu deixou a casa dos pais para viver do futebol. Em Chapecó, fez as categorias de base na Chapecoense e deslanchou. Passou pelo Atlético-MG e, em 2020, chegou ao Distrito Federal para a primeira passagem pelo esporte local. Em 2021, viu o clube cair da Série A1 do Campeonato Brasileiro e, no ano seguinte, foi para o Grêmio. Porém, Brasília cruzaria mais uma vez o caminho da atleta ao receber o convite para jogar pelo Real Brasília.

Depois de duas temporadas e o fim da categoria feminina no clube, Manu retornou para o Minas. Desta vez, para a campanha do acesso à Série A1. "Eu era muito nova, não tinha essa responsabilidade. Mas eu sempre me entrego muito. Em todos os lugares que já fui, visto a camisa. Mas eu acredito que tudo foi necessário. Precisávamos disso para amadurecer", avaliou. "É muito gratificante olhar para trás e lembrar daquele sentimento de impotência e falar que conseguimos depois de muito aprendizado, lágrimas e risadas", celebrou.

Pelo Cresspom, Sâmia Priscila não se prende em apenas uma faixa do campo. Aos 40 anos, a experiente atleta joga nas posições de marcação e armação. No Candangão, no 3-4-3 de Janaína Queiroz, faz um papel de controle da posse e de presença mais defensiva no meio, mesmo vestindo a camisa 10: "Tenho um papel bem versátil na equipe. Atuo mais como volante, mas já fiz a meia mais avançada e até no miolo da zaga", revelou. 

A carreira de Sâmia foi uma verdadeira montanha-russa. Começou aos 13 anos e ficou até os 26 jogando futsal. A transição para o campo veio tarde, mas o talento perdurou. "Cresci em Canutama, no interior do Amazonas, mas comecei minha carreira em Manaus. Aos 13 anos, já jogava, mas me profissionalizei no futsal. Ganhei títulos e me destaquei. Fui para São Paulo jogar no Jaguaré e depois passei cinco anos no Palmeiras. Minha transição para o campo veio no Avaí Kindermann. Não senti dificuldades na mudança", contou. 

"Quando comecei no campo, voltei para São Paulo. Passei em algumas equipes, cheguei no Flamengo, mas retornei ao Palmeiras. Fui muito feliz. Vencemos a Libertadores e o Campeonato Paulista. Ainda passei na Bahia até voltar ao Amazonas, onde conheci a Jana (técnica do Cresspom). Agora, neste ano, ela me chamou para fazer parte da equipe", afirmou. 

Sâmia chegou ao Cresspom no meio do ano para jogar o Candangão. Com longa bagagem, exerce uma posição de liderança. "Eu gosto muito das meninas justamente porque elas entedem esse meu papel de líder experiente no campo. Fico muito feliz que elas me escutam, perguntam quando têm dúvidas e isso é muito gratificante", ressaltou.

No quesito regência, Minas Brasília e Cresspom estão bem servidos na final do Campeonato Candango. Quando a bola passar pelo meio-de-campo, Manu e Sâmia saberão bem os caminhos na tentativa de guiar as Minas na busca ao pentacampeonato e as Pumas do Cerrado na luta pelo octa da elite.

*Estagiários sob a supervisão de Danilo Queiroz

Cinco perguntas para Kethleen Azevedo, treinadora do Minas Brasília

O último jogo contra o Cresspom terminou empatado por 1 x 1 e mostrou um confronto bem mais equilibrado do que os dois primeiros jogos do Minas. O que vocês aprenderam daquela partida que pode fazer diferença na final?

Nós já esperávamos um jogo bem disputado, porque sabemos que clássico é um jogo diferente, onde a motivação, a entrega e o detalhe são importantes. Fizemos um bom jogo, assim como o Cresspom. Mas agora é final, é totalmente diferente, esperamos levar um pouco mais de concentração.

O Minas teve uma campanha muito dominante na primeira fase, principalmente ofensivamente, mas justamente contra o Cresspom encontrou mais dificuldades. O que você espera que a equipe faça diferente para conseguir impor esse futebol na decisão?

Trata-se de uma equipe bem treinada e com uma defesa bem sólida. Segundo nossos scout, nós tivemos mais finalizações, chutes a gol e posse de bola. Mas foi um jogo muito equilibrado. Temos que continuar criando oportunidades que a bola vai entrar. Vamos ser mais agressivas e finalizar mais para que possamos sair com o resultado positivo.

Vocês chegam à final como atuais campeãs e também depois de uma temporada de bastante crescimento, com a campanha no Brasileiro. Como transformar essa experiência de jogos grandes em confiança, sem deixar que ela vire pressão?

Ano passado foi importante para nós conquistarmos, porque o Real vinha há seis anos ganhando. O título nos deixou fortes para a disputa do Brasileiro. Fizemos uma campanha incrível. Estamos muito felizes com a nossa temporada. Eu sempre falo para elas que pressão é um privilégio de quem busca algo grande. Títulos são coisas que marcam a nossa carreira e essa é uma pressão gostosa. Tem que curtir esse momento, disputar mais uma final e fazer de tudo para sairmos vencedoras no domingo.

Jayane e Rayla chegam à decisão dividindo a artilharia, com cinco gols cada. Até que ponto ter diferentes jogadoras decidindo os jogos muda a preparação do Minas para uma final em que o Cresspom certamente vai tentar limitar essas referências?

Infelizmente, perdemos a Rayla (artilheira ao lado de Jayane, com cinco gols). Ela passou por uma cirurgia no tendão e só retorna em fevereiro. Mas temos um elenco forte, qualificado e a Jay merece terminar como artilheira. Faz muita diferença ter jogadoras desse nível, decisivas e eu espero que elas estejam em um bom-dia.

O Minas chega à final depois de uma campanha muito consistente e com apenas um gol sofrido na primeira fase. O que mais te deixa confiante de que o time está preparado para a decisão?

Eu tenho muita confiança no grupo. O jogo vai ser no Bezerrão, um local que nós não perdemos esse ano. Porém, final é diferente. Temos que respeitar o Cresspom, é uma referência. Vamos, sim, com confiança, mas sempre com humildade e pés no chão. Espero conquistar mais um título para coroar nosso trabalho.

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postado em 09/10/2026 05:00
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