COPA DO MUNDO
Do mestre ao rival: como o Brasil ajudou a moldar o futebol japonês
Antes do duelo na Copa, jogadores e técnicos brasileiros ajudaram a transformar o futebol do Japão dentro e fora de campo
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Antes do duelo na Copa, jogadores e técnicos brasileiros ajudaram a transformar o futebol do Japão dentro e fora de campo

A vitória do Brasil sobre o Japão na Copa também ajuda a lembrar uma curiosidade que atravessa décadas. Muito do futebol apresentado hoje pelos japoneses tem influência brasileira. O toque de bola, a valorização da posse e até a formação de atletas foram moldados por profissionais do Brasil que ajudaram a construir a identidade do esporte no país asiático.
A história começou no início da década de 1990, quando o Japão decidiu profissionalizar seu futebol com a criação da J.League. Um dos primeiros grandes nomes a participar desse projeto foi Zico. Contratado pelo Kashima Antlers, o ex-camisa 10 não apenas brilhou dentro de campo, como também ajudou a formar jogadores, orientar treinadores e criar uma mentalidade vencedora. Até hoje, ele é tratado como um dos maiores personagens da história do futebol japonês e recebeu o apelido de “Deus do Futebol” entre os torcedores.
A influência brasileira cresceu rapidamente. Ídolos como Careca, Leonardo, Alcindo e diversos outros jogadores passaram pelo país, enquanto técnicos como Toninho Cerezo, Nelsinho Baptista, Oswaldo de Oliveira e Levir Culpi comandaram clubes da J.League e participaram da evolução tática do futebol local. Na seleção japonesa, atletas nascidos no Brasil e naturalizados, como Ruy Ramos, Wagner Lopes e Alex Santos, também tiveram papel importante ao levar experiência e características do futebol brasileiro para dentro da equipe.
Entre 2002 e 2006, Zico voltou ao Japão, desta vez como treinador da seleção. Sob seu comando, a equipe conquistou a Copa da Ásia de 2004 e marcou um estilo baseado na troca rápida de passes, movimentação constante e liberdade criativa. Essas características passaram a se misturar com a disciplina e a organização típicas da cultura japonesa, formando uma identidade própria que permanece até hoje.
O resultado desse intercâmbio aparece dentro de campo. O Japão passou a enfrentar grandes seleções sem o papel de coadjuvante. O duelo contra o Brasil mostrou duas escolas de futebol com estilos diferentes, mas ligadas pela mesma história. De certa forma, a vitória brasileira também simboliza o encontro entre “mestre” e “aluno”, já que parte da evolução do futebol japonês nasceu da influência verde e amarela.
*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares