Eleita como uniforme de jogo para o confronto contra o Haiti, às 22h desta sexta-feira (19/6), pela segunda rodada da fase de grupos da Copa de 2026, a camisa azul da Seleção Brasileira vai muito além do tão comentado modelo produzido pela marca americana Jordan, em meio à mais recente tentativa pelo hexacampeonato mundial. A CazéTV (YouTube), a TV Globo (TV aberta) e o Globoplay (streaming) transmitem a partida.
Apesar de ser presença carimbada da Canarinho em Copas do Mundo, a camiseta azul nem sempre esteve presente nos corpos dos atletas brasileiros. A primeira apariação da blusa aconteceu em um dia especial para o futebol nacional. No dia 29 de junho de 1958, a Seleção pisava no gramado do Estádio Råsunda, em Solna, na Suécia, para disputar a final daquela edição do Mundial. Ali, fez a estreia do visual em azul.
A escolha, na verdade, não havia sido planejada. Inicialmente, o plano era vestir a costumeira Amarelinha. No entanto, os suecos, donos da casa e adversários na final, também jogavam de amarelo. Por isso, a Fifa realizou um sorteio para definir quem usaria o uniforme principal. Como conclusão, ficou decidido que a preferência seria da anfitriã.
A definição gerou preocupação. Afinal, o Brasil precisaria jogar com a camisa reserva, de cor branca. O uniforme em questão era visto como "amaldiçoado". Oito anos antes, a Canarinho foi derrotada pelo Uruguai na final do primeiro Mundial realizado em território nacional. O famoso episódio ficou conhecido como 'Maracanazo', por causa do local do confronto, o Maracanã.
Foi então que Paulo Machado de Carvalho, o então chefe de delegação da seleção, teve a ideia que levou à mudança. Incomodado com o abatimento do plantel por ter de usar branco, se recolheu para fazer uma oração. No local escolhido, se deparou com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil desde 1930, envolta no manto azul. Foi daí que veio a inspiração.
A delegação brasileira foi às ruas de Estocolmo para buscar a solução. Em uma loja, um kit com 22 camisetas azuis foi adquirido. Depois de bordados escudo da CBD (atual CBF) e respectivos números às costas, os uniformes foram a campo.
No primeiro embate, vitória por 5 x 2 diante da Suécia, e consagração do elenco liderado pelo então jovem Pelé, de apenas 17 anos, responsável pela primeira das cinco taças de Copa do Mundo da Seleção. Daí surgiu a expressão "manto sagrado". Desde então, é usado como o uniforme reserva da pentacampeã mundial.
Retrospecto com traje azul em Copas é fator determinante
Entre todos os uniformes da Seleção Brasileira utilizados em Copas do Mundo (amarelo, azul e branco), o de cor azul é o dono do melhor aproveitamento em Mundiais. Ao todo, são 15 jogos com a camisa sagrada. Destes, o Brasil saiu vitorioso 11 vezes. Além disso, empatou um, e perdeu os outros três compromissos. Ou seja, aproveitamento de 75,56%.
O montante é superior ao acumulado com as camisas amarela (84 jogos, com 56 triunfos, 17 empates e 11 derrotas, e 66,7% de aproveitamento) e branca (11 jogos, com seis vitórias, dois empates e três derrotas, e 54,5% de aproveitamento).
Sob o comando de Carlo Ancelotti, a Canarinho tentará subir ao posto mais alto do Mundial de seleções pela primeira vez desde 2002 com novidades. Na América do Norte, vestirá uniforme fornecido pela Jordan, marca americana filiada à Nike. O traje, portador de um conjunto de cores com predomínio do azul escuro, é inspirado na fauna brasileira, mas, mais precisamente, no Sapo-flecha (ou sapo-dardo), anfíbio venenoso.
Além disso, esta será a primeira vez da Seleção em uma Copa com cores no uniforme que não estão presentes na bandeira nacional. Apesar das camisas e shorts serem azuis, os meiões serão pretos, algo inédito. Com exceção da Copa de 1958, o Brasil foi campeão mundial, em todas as outras quatro oportunidades, com camisa amarela, calção azul, e meiões brancos.
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