Nova Jersey — Se a Copa do Mundo obedecesse ao ranking da Fifa, Holanda e Marrocos estariam destinados a um encontro nas quartas de final. O torneio, porém, antecipou o confronto para os 16 avos e decretou uma eliminação precoce para uma das sete melhores seleções do planeta. Coube à Holanda essa amargura. Derrotada nos pênaltis por Marrocos, por 3 x 2, depois da insistência do empate na prorrogação, a Laranja confirmou uma escrita incômoda e voltou a fracassar diante de um adversário de primeira prateleira do futebol mundial.
O tropeço amplia um jejum que acompanha a seleção desde dezembro de 2022. São 15 partidas consecutivas sem vencer uma equipe posicionada entre as 25 melhores do ranking da Fifa. O Marrocos, sexto colocado, transformou-se no teste mais exigente dos neerlandeses desde o início da Copa e expôs, mais uma vez, a dificuldade da equipe de Ronald Koeman para dar o salto competitivo contra rivais de elite.
De 1998 a 2026, a Holanda disputou cinco decisões por pênaltis em Copas do Mundo e foi eliminada em quatro, sendo três consecutivas: contra a Argentina em 2014 e em 2022 e, agora, contra Marrocos. Ao lado da Espanha, a Laranja é a seleção com mais eliminações na marca da cal em Mundiais.
A companhia liderada por Cody Gakpo chegou ao mata-mata embalada pelos 10 gols marcados na fase de grupos, mas carregava sinais de alerta. A equipe desperdiçava oportunidades em excesso e convivia com uma fragilidade defensiva que se repetiu diante dos africanos. A seleção voltou a sofrer gols e ampliou para oito a sequência de partidas sem terminar um jogo sequer com a defesa intacta.
Ronald Koeman apostou na manutenção da base que liderou o Grupo F e manteve o corintiano Memphis Depay como opção no banco de reservas. Antes da partida, o treinador evitou assumir o favoritismo. "Não sei se somos favoritos. Marrocos é um time ofensivo, com muitos jogadores técnicos, que atuam entre as linhas do meio e do ataque", advertiu. A previsão foi precisa.
Os africanos confirmaram que a campanha histórica até a semifinal da Copa do Catar não foi obra do acaso. A regularidade voltou a aparecer diante de um adversário de elite. Embalada por jogadores como Ismael Saibari, destaque do PSV, e pela intensidade dos atacantes Rahimi e El Kaabi, a equipe explorou justamente os pontos frágeis da Holanda e evitou a derrota por 1 x 1 ao insistir com o zagueiro Issa Diop aos 46 minutos do segundo tempo.
Nem mesmo o calor de Monterrey serviu como desculpa. Antes do Mundial, o diretor do Monterrey e ex-dirigente do Feyenoord, Dennis te Kloese, chegou a aconselhar os compatriotas a evitarem terminar na liderança do grupo para escapar das altas temperaturas da cidade mexicana. A Holanda ignorou o alerta e encontrou muito mais dificuldades do que o clima. Encontrou um Marrocos mais intenso, mais competitivo e capaz de prolongar uma escrita que começa a pesar sobre a geração comandada por Ronald Koeman.
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