GÊNIO DA BOLA

Messi busca 10º gol na Copa e marca que ninguém alcança desde 1970

Craque argentino está a duas bolas na rede de igualar Gerd Muller e entrar no grupo dos artilheiros com dois dígitos em uma edição. Desafio é furar bloqueio da Espanha, melhor defesa do Mundial

Foto de perfil do autor(a) Victor Parrini — Enviado especial
Victor Parrini — Enviado especial
17/07/2026 01:35
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Lionel Messi jogará a terceira final de Copa da carreira: 2014, 2022 e 2026 -  (crédito: Roberto Schmidt/AFP)
Lionel Messi jogará a terceira final de Copa da carreira: 2014, 2022 e 2026 - (crédito: Roberto Schmidt/AFP)

Nova Jersey — Lionel Messi se apresentou ao mundo em 16 de outubro de 2004 vestindo a camisa 30 do Barcelona. Dez meses depois, em 16 de agosto de 2005, estreou pela seleção argentina com a 19 nas costas. Parecia descabido imaginar que um talento descomunal não encontraria, mais cedo ou mais tarde, o número que parecia reservado a ele. O 10 nunca foi apenas uma camisa. Virou uma extensão dele. Está nas costas, aparece nas estatísticas e pode ganhar outro significado. Se marcar duas vezes na final contra a Espanha, o camisa 10 alcançará justamente os 10 gols em uma única edição da Copa do Mundo, feito que ninguém consegue desde Gerd Müller, em 1970.

Em 96 anos de Copa do Mundo, apenas três jogadores romperam a barreira dos dois dígitos de gols em uma única edição. Just Fontaine segue inalcançável no topo, com 13 pela França em 1958. Atualizou a marca estabelecida pelo húngaro Sándor Kocsis, com 11 em 1954. Gerd Müller fechou o seleto grupo ao marcar 10 vezes pela Alemanha Ocidental em 1970. Desde então, ninguém voltou a alcançar a marca. Messi é o único candidato a quebrar o jejum. Chega à final com oito gols em sete partidas. 

Messi faz da Copa de 2026 a última da carreira em Mundiais. São 21 gols e o posto de maior artilheiro da história do torneio. Nunca marcou tantas vezes em uma única edição. O diferencial está no pacto firmado no vestiário. A Argentina joga por ele e para ele. Quase toda bola ofensiva passa pelos pés do camisa 10. O gol da classificação dramática sobre a Inglaterra sintetiza essa relação. Depois de Mac Allister acertar a trave, a pelota encontrou Messi. O craque acalmou a jogada, esperou o momento certo e serviu Lautaro Martínez para a cabeçada que colocou a Albiceleste em mais uma final.

O problema é que o desafio de Messi passa pela defesa mais consistente desta Copa. A Espanha sofreu apenas um gol em sete partidas e transformou a pressão sem a bola e o controle da bola em marcas registradas da equipe de Luis de la Fuente. Em nenhum compromisso do Mundial teve menos posse do que o adversário. O jogo mais equilibrado nesse fundamento foi justamente a semifinal contra a França, quando terminou com 51%. Os atuais campeões da Euro alimentam o sonho de entrar para a história também pela solidez defensiva. Até hoje, apenas Itália (2006), França (1998) e a própria Espanha (2010) conquistaram a Copa sofrendo apenas dois gols em toda a campanha.

A boa notícia para a Argentina é que Messi não depende apenas das finalizações para decidir. À medida que a Copa avançou, o camisa 10 passou a encontrar menos espaço para concluir as jogadas, mas manteve a influência na construção ofensiva. Das 10 participações diretas em gols, quatro vieram justamente como assistências no mata-mata. Quando bem marcado, tem gerado espaço para companheiros, como no gol de empate de Enzo Fernández contra a Inglaterra, ou orientado. 

"Chegamos muito esperançosos, com muitas dúvidas, mas eu sabia que este grupo sempre compete e sempre dá o máximo. Quando estamos juntos, tiramos forças de onde não temos. Tínhamos certeza de que estaríamos entre os quatro melhores e, hoje, graças a Deus, estamos entre os dois melhores", celebrou Messi após a classificação sobre a Inglaterra.

Mas Messi não está sozinho nessa corrida. Embora eliminado pela Espanha na semifinal, Kylian Mbappé, também autor de oito gols nesta edição e principal perseguidor do argentino na artilharia geral do torneio, com 20 bolas na rede, terá direito a uma despedida na decisão do terceiro lugar contra a Inglaterra, neste sábado (18/7), às 18h, em Miami.